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Aos 45 anos, Adrienne Willis repensa toda a sua vida quando o marido a abandona por uma mulher mais jovem. Com o coração partido e em busca de. Há três anos, Adrienne Willis perdeu as esperanças no amor quando o marido a trocou por uma mulher mais jovem. Tendo que cuidar sozinha dos três filhos. QUEREM LER · LENDO 19 · LERAM Noites de Tormenta é um dos livros mais fofinhos do Nicholas Sparks. Sua escrita Com maestria, Sparks fala sobre o amor, a vida e as relações entre um e outro. O foco nesta história é o.

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Parecia-lhe um gesto natural, uma coisa que tivesse passado anos a fazer. Quer dizer, depende da violncia que atingir, no? Esfera dos Livros. Por favor, Robert Torrelson Escrevera o endereo no final da carta. Ela sorriu. Adrienne comeavam e terminavam com a mesma pergunta: 0 que que devemos fazer? As senhas distribuídos para os clientes do clube de fidelidade das Livrarias Curitiba se esgotaram em menos de uma hora, no dia 25 de março. Información extra. Vou assistir o filme no fim de semana -vamos ver Como disseste, julgo que antes de resolvermos os problemas que existem entre mim e ele teremos de fazer um esforo para nos conhecermos melhor. Nessa noite, deitado na cama a contemplar o tecto, Paul tentou perceber aquilo que o pai quisera dizer-lhe. Minutos depois, virou para a rua onde vivia Robert Torrelson. Pó dos Livros. Richard Gere.

Há três anos, Adrienne Willis perdeu as esperanças no amor quando o marido a trocou por uma mulher mais jovem. Tendo que cuidar sozinha dos três filhos. QUEREM LER · LENDO 19 · LERAM Noites de Tormenta é um dos livros mais fofinhos do Nicholas Sparks. Sua escrita Com maestria, Sparks fala sobre o amor, a vida e as relações entre um e outro. O foco nesta história é o. Noites de tormenta - O amor pod - Nicholas Sparks de dominio publico e propriedade intelectual de forma totalmente gratuita, por acreditar Com a missão de publicar histórias empolgantes, tornar os livros cada vez mais. Noites de Tormenta - documento [*.pdf] OO SSoorrrriissoo ddaass OO SSoorrrriissoo ddaass EEssttrreellaass Nicholas Sparks Três anos antes, . a ler romances do Oeste e livros acerca da Segunda Guerra Mundial. Baixar Livro Noites de Tormenta - Nicholas Sparks em PDF, ePub e Mobi ou ler .

Quando Sparks tinha oito anos, o seu pai decidiu dar prosseguimento aos seus estudos na Universidade de Minnesota e Universidade do Sul da Califórnia , o que fez com que a família se mudasse para diferentes locais, entre eles Watertown, Minnesota , Inglewood, Califórnia , Playa del Rey, Los Angeles e Grand Island, Nebraska.

Dessa forma, sua família se estabilizou em Fair Oaks, Califórnia , onde Sparks viveu sua juventude. Após se formar em e ser o orador oficial da Bella Vista High School , inscreveu-se na Universidade de Notre Dame , onde ganhou uma bolsa de estudos. Em seu primeiro ano, sua equipe tinha um recorde de revezamento de 4 x Naquele mesmo ano, ele também conheceu sua futura esposa, Cathy Cote de Nova Hampshire , enquanto estava em férias por causa da semana de primavera.

Eles se casaram em 22 de julho de e se mudaram para New Bern, Carolina do Norte. Ele também escreveu outro romance em , também nunca publicado, The Royal Murders. Após se formar, Sparks buscou ofertas de trabalho com editoras ou vagas para estudar direito, mas foi rejeitado em ambas as tentativas.

Em , Sparks começou a vender produtos farmacêuticos e, no ano seguinte, foi transferido para Washington, DC. Foi nessa época que ele escreveu outro romance em seu tempo livre, The Notebook.

O romance foi publicado em outubro de e entrou na lista de best-sellers no New York Times em sua primeira semana de lançamento. Com o sucesso do seu primeiro romance, ele se mudou para New Bern, Carolina do Norte. Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Nicholas Sparks. Consultado em 9 de agosto de Ferrum College.

Olhando pelo retrovisor, avistou de fugida os arranha-cus de Raleigh e ficou a pensar se voltaria a v-los. A casa tinha sido vendida a dois jovens profissionais - o marido era director na Glaxo Smith-Kline, a mulher era psicloga - que tinham visto a casa logo no primeiro dia em que tinha sido posta venda.

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Voltaram no dia seguinte e fizeram uma oferta poucas horas depois dessa visita. Foram o primeiro casal, e o nico, que se passeou pela casa. Paul no ficou surpreendido. Estava l quando eles chegaram e viu que passaram uma hora a analisar as caractersticas da casa. Apesar das tentativas que faziam para disfarar o que sentiam, Paul sabia que tinham decidido baixar a.

Mostrou-lhes os pormenores do sistema de alarme e a maneira de abrir o porto que separava o seu domnio do resto da comunidade, deu-lhes o nome e o carto de visita do jardineiro que tratava da propriedade, bem como da empresa que fazia a manuteno da piscina, com a qual ainda tinha um contrato vlido. Explicou que o mrmore do vestbulo fora importado de Itlia e que os vitrais das janelas tinham sido desenhados por um arteso de Genebra.

A cozinha fora remodelada apenas dois anos antes; o congelador e o fogo Viking eram ainda do mais moderno que existia no mercado; tinha-lhes garantido que cozinhar para vinte pessoas, ou mais, no constituiria qualquer problema. Levou-os a ver o quarto e a casa de banho principais, depois os outros quartos, sem deixar de reparar como os olhares deles se demoravam na apreciao das molduras executadas mo e nas paredes pintadas com esponja.

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No piso inferior chamou-lhes a ateno para a moblia de estilo e para o candelabro de cristal, deixou-os examinar o tapete persa que estava por debaixo da mesa das bebidas da sala de jantar. Na biblioteca viu o homem a apreciar o candeeiro Tiffany colocado a um canto da secretria e a passar os dedos pelos painis de madeira de cer.

Paul assentiu. Ao sair da biblioteca, no deixou de ouvir os sussurros excitados que o casal trocava entre si. No final da hora que tinham passado a ver a casa, quando estavam junto da porta e preparados para sair, ambos fizeram a pergunta que Paul sempre considerara inevitvel.

Paul recordou-se de olhar para o homem, sabendo que a pergunta no era fruto de simples curiosidade. O que Paul estava a fazer parecia sugerir um qualquer escndalo, alm de que o preo, como ele bem sabia, era baixo mesmo se a cash fosse vendida sem moblia. Poderia ter respondido que, por viver sozinho, no necessitava de uma casa to grande. Ou que a casa podia ser melhor aproveitada por algum mais jovem, por pessoas que no se importassem de subir escadas. Ou que tinha planos para baixar ou para construir uma casa diferente, que lhe agradava outro gnero de decorao.

Ou que tencionava reformar-se e que a propriedade exigia cuidados em demasia. Mas qualquer destas respostas seria enganadora. Em vez de responder, encarou o homem, olhos nos olhos. A pergunta fora feita em tom amigvel e o homem ficou a olhar a esposa por momentos. Uma mulher bonita, pequena, morena e mais ou menos da idade do marido - cerca de 3 5 anos.

O marido tambm era bem-parecido, direito como um fuso, um homem obviamente aplicado, que nunca se sentira inseguro. Por momentos, pareceram no perceber o sentido da pergunta de Paul.

Paul aquiesceu. Certo, pensou, a lembrar-se de tambm ter pensado o mesmo. Pelo menos at seis meses atrs. Momentos depois o casal voltou-se para a sada e Paul ficou a v-los dirigirem-se para o carro. Fez-lhes um aceno antes de fechar a porta mas, uma vez s, sentiu um n na garganta. Apercebera-se de que olhar para aquele homem o obrigara a lembrar-se do que em tempos sentia quando olhava para o espelho.

E, subitamente, por uma razo que mal poderia explicar, Paul sentiu que tinha lgrimas nos olhos. A estrada passava por Smithfield, Goldsboro e Kinston, pequenas cidades separadas por cinquenta quilmetros de campos de algodo e de tabaco. Tinha crescido nesta parte do mundo, numa pequena herdade nos arredores de Williamston, e os lugares mais importantes ainda lhe eram familiares. Passou por celeiros de tabaco e casas de lavoura em equilbrio instvel; viu manchas de visco nos ramos altos e desfolhados dos carvalhos que ladeavam a estrada.

Uma espcie de pinheiros, plantados em filas compridas e estreitas, separavam as propriedades umas das outras. Em New Bern, uma cidade estranha, situada na confluncia dos rios Neuse e Trent, parou para almoar. Comprou uma sanduche e uma chvena de caf numa loja do centro histrico e, apesar do frio, sentou-se num banco perto do Sheraton, de onde se via a marina.

Amarrados nos ancoradouros, os iates e os barcos de vela balouavam suavemente com a brisa. A respirao de Paul formava pequenas nuvens. Comida a sanduche, removeu a tampa da chvena de caf. Ficou a observar o vapor de gua que subia e a ponderar a sequncia de acontecimentos que o tinham trazido at ali.

Tinha sido uma longa caminhada, pensou. A me morrera quando o trouxe ao mundo e, sendo nico filho de um pai que tinha de trabalhar a terra para comer, a sua vida no fora fcil.

Em vez de ir jogar basebol com os amigos ou de ir pesca, passava os dias a mondar ervas daninhas e a tirar parasitas das folhas de tabaco, doze horas por dia, sob o calor inclemente do sol dos Veres sulistas que lhe mantinha as costas com um castanho-dourado permanente.

Como todas as crianas, por vezes queixava-se; mas na maior parte dos dias conformava-se com o trabalho. Sabia que o pai precisava da sua ajuda e o pai era um bom homem.

Era paciente e simptico mas, mantendo a tradio do seu prprio pai, raramente falava, a menos que tivesse alguma coisa importante para dizer. Na maioria dos dias, a casa oferecia aquele tipo de sossego que normalmente s se encontra nas igrejas. Para alm das perguntas superficiais acerca do que se passava na escola ou do que estava a acontecer nos campos, ao jantar apenas se ouvia o som ocasional dos talheres a bater nos pratos.

Lavada a loua, o pai emigrava para a sala para folhear artigos e relatrios sobre agricultura, enquanto Paul mergulhava na leitura dos seus livros. No tinham televisor e o rdio quase s era ligado para ouvir o boletim meteorolgico.

Eram pobres, no lhes faltav comida nenj uma cama quente para dormirem, mas era frequente que Paul se sentisse envergonhado com as roupas que tinha de usar ou pelo facto de nunca ter dinheiro suficiente para ir pastelaria baixar um bolo ou uma cola, como faziam os seus amigos. Ouvia, uma vez por outra, alguns comentrios maldosos sobre o assunto, mas em vez de lhes responder dedicou-se ao estudo, como se tentasse provar que a pobreza no o preocupava.

Obteve notas excelentes, ano aps ano; o pai, por muito que os resultados do Paul o enchessem de orgulho, mal escondia uma certa melancolia que o assaltava ao olhar os relatrios, como se no tivesse dvidas de que aquelas notas significavam que o filho um dia sairia da herdade, para no mais voltar.

Os hbitos de trabalho que desenvolvera nos campos fizeram-se sentir noutras reas da vida de Paul. No s foi o melhor aluno do seu curso como tambm um excelente atleta. Quando caloiro, foi afastado da equipa de futebol, mas o treinador recomendou-lhe que tentasse a corrida de corta-mato.

Quando percebeu que a diferena entre ganhadores e perdedores era quase sempre mais determinada pelo trabalho do que pelas qualidades inatas, comeou a saltar da. O esquema resultou; frequentou a Duke University com uma bolsa de estudos destinada a atletas e foi o melhor corredor da escola durante quatro anos, alm de obter excelentes notas.

S uma vez, em quatro anos, baixou a guarda e quase morreu em consequncia disso, mas no deixou que voltasse a acontecer. Dedicou-se Qumica e Biologia e formou-se com distino summa cum lande. Nesse ano tambm se tornou uma figura do desporto a nvel nacional, terminando em terceiro lugar no campeonato de corta-mato.

Terminada a corrida, ofereceu a medalha ao pai e disse que tinha feito todo o esforo por ele. S espero que estejas a esforar-te para alcanares qualquer coisa, no para fugires de alguma coisa. Nessa noite, deitado na cama a contemplar o tecto, Paul tentou perceber aquilo que o pai quisera dizer-lhe.

Por si, pensava estar a correr em direco a qualquer coisa, queria obter tudo. Uma vida melhor. Desafogo financeiro. Meios de ajudar o pai.

Ausncia de dificuldades. Em Fevereiro do ltimo ano, depois de saber que tinha sido aceite pela Faculdade de Medicina da Universidade Vanderbilt, foi visitar o pai para lhe dar a boa notcia. O pai mostrou-se feliz por Paul ter conseguido o que queria. Mais tarde, a horas a que o pai costumava estar a dormir profundamente, Paul foi janela e viu-o l fora, junto ao poste da vedao, uma figura solitria com o olhar perdido nos campos.

O pai morreu trs semanas depois. Foi vitimado por um ataque cardaco quando andava a lavrar, a preparar as terras para as culturas da Primavera. Paul sentiu-se devastado pela perda; mas em vez de passar o tempo a chorar a morte do pai, tentou no pensar nela e trabalhou ainda com mais afinco.

Foi cedo para Vanderbilt, frequentou os Cursos de Vero e escolheu trs disciplinas que o fariam progredir nos estudos e depois, no Outono, acrescentou trs disciplinas de opo a um plano de estudos j muito sobrecarregado.

Depois disso, todos os seus dias se tornaram iguais. Ia s aulas, fazia os trabalhos de laboratrio e estudava at s primeiras horas da manh. Corria oito quilmetros por dia, contra o cronmetro, a tentar melhorar os tempos a cada ano que passava.

Evitava discotecas e bares; ignorava as restantes actividades das equipas de atletismo da universidade. Comprou um televisor devido a um impulso. Embora tmido com as raparigas, foi apresentado Martha, uma loura da Gergia, de temperamento calmo, que trabalhava na biblioteca da Faculdade de Medicina; como ele no se decidia a convid-la para sair, teve de ser ela a tomar a iniciativa.

Embora a Martha se preocupasse com a cadncia infernal da vida dele, dez meses mais tarde percorreram o caminho para o altar. No houve tempo para a lua-de-mel, pois os exames finais estavam porta, mas ele prometeu que iriam a um stio adequado, logo que o ano escolar terminasse.

Nunca foram. O filho, Mark, nasceu um ano depois e durante os dois primeiros anos Paul nunca lhe 'mudou uma fralda, nem o embalou para adormecer. Conseguiu licenciar-se em trs anos, foi o primeiro classificado do curso e levou a famlia para Baltimore, a fim de fazer o internato de cirurgia na Johns Hopkins. A cirurgia, soube-o a seu tempo, era o seu destino. Muitas das especialidades exigem uma grande dose de interaco e de palmadinhas nas mos dos doentes; Paul no era especialmente dotado para comportamentos desse tipo.

A cirurgia era diferente; os pacientes estavam mais interessados na aptido tcnica do cirurgio do que na sua capacidade de comunicao e Paul possua no s a autoconfiana suficiente para os pr vontade antes da operao como tambm dominava as tcnicas necessrias para fazer o que tinha de ser feito.

Aquele ambiente f-lo prosperar. Nos ltimos dois anos de internato, Paul trabalhava semanas de noventa horas e dormia quatro horas por noite; por mais estranho que parecesse, no revelava sinais de fadiga.

Depois do internato completou um curso de ps-graduao em cirurgia crnio-facial e mudou-se, juntamente com a famlia, para Raleigh, onde montou consultrio com outro cirurgio, na altura exacta em que a populao da cidade iniciou um aumento explosivo.

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Sendo os nicos dois especialistas daquele ramo na cidade, a sua clnica tinha de se expandir. Aos 34 anos completou o pagamento das dvidas contradas na Faculdade de Medicina. Aos 36 tinha protocolos com todos os hospitais importantes da zona, embora a parte principal do seu trabalho tivesse lugar no centro mdico da Universidade de Carolina do Norte. Foi ali que participou num estudo sobre neurofibromas, em colaborao com especialistas da Clnica Mayo. Um ano mais tarde, viu um seu artigo acerca da fenda palatina ser publicado no New England Journal of Medicine.

Seguiu-se, quatro meses depois, um artigo sobre hemangiomas que ajudou a uma nova. A sua reputao aumentou e, depois de ter operado com xito a filha do senador Norton, que ficara desfigurada num acidente de viao, a sua fotografia foi capa do Wall Street Journal.

Para alm de especialista de cirurgia reconstrutiva, foi dos primeiros mdicos do estado de Carolina do Norte a fazer cirurgia plstica e cavalgou a onda quando ela ainda estava a formar-se. A clientela teve um aumento fantstico, os seus rendimentos multiplicaram-se, comeou a acumular bens. Ele e a Martha construram a casa com que ambos sonhavam. Comprou aces, obrigaes e participaes em pelo menos uma dzia de fundos. Quando percebeu que no podia estar a par de todas as particularidades do mercado, contratou um gestor financeiro.

Depois disso, a sua fortuna comeou a duplicar em cada quatro anos. Ento, quando j tinha mais dinheiro do que o necessrio para se manter at ao fim da vida, a fortuna comeou a triplicar.

Continuava, porm, a trabalhar. Marcava operaes para os dias teis e tambm para os sbados. Passava as tardes de domingo no escritrio. Quando atingiu os 45 anos de idade, o ritmo de trabalho que impunha acabou por cansar o scio da clnica, que o deixou para ir exercer medicina com outro grupo de colegas.

Nos primeiros anos aps o nascimento do Mark, a mulher ainda falava em terem outro filho. Com o tempo, deixou de tocar no assunto. Embora Martha o forasse a ter frias, ele fazia-o to a contragosto que, por fim, a mulher habituou-se a fazer longas visitas aos pais e a levar o Mark, deixando Paul sozinho em casa.

Este conseguia arranjar tempo para assistir aos momentos mais importantes da vida do filho, queles eventos que acontecem uma ou duas vezes por ano, mas perdia quase todos os restantes. Convenceu-se a si mesmo de que trabalhava para bem da tam lia. Ou para a Martha, que partilhara com ele as lutas dos primeiros anos. Ou para honrar a memria do pai.

Ou para prevenir o futuro do Mark. No entanto, bem l no fundo, sabia que o fazia por si prprio. Se tivesse de escolher o mais grave de entre os seus desgostos durante aqueles anos, teria de falar do filho que, apesar de criado sem ter o pai por perto, o surpreendera e quisera ser mdico.

Depois de Mark ter sido admitido na Faculdade de Medicina, Paul espalhou a novidade por todos os corredores do. Agora, pensou, poderiam passar mais tempo juntos e lembrou-se de convidar Mark para almoar, na esperana de que conseguiria convenc-lo a enveredar pela cirurgia.

Mark limitou-se a abanar a cabea. Para ser franco, direi que tenho pena de ti. Palavras duras. Tiveram uma discusso. Mark fez-lhe acusaes graves, Paul enfureceu-se e o filho acabou por se precipitar para fora do restaurante. Recusou-se a falar ao filho durante as semanas seguintes, mas Mark no fez qualquer tentativa para remediar a situao.

As semanas transformaram-se em meses; correram os anos. Embora Mark mantivesse relaes afectuosas com a me, evitava visit-la em casa quando sabia que o pai l estava. Paul tratou a desavena com o filho da nica maneira que conhecia. Manteve o ritmo de trabalho, continuou a correr os seus oito quilmetros dirios, logo de manh consultava as pginas de informaes financeiras do jornal. No entanto, percebia a tristeza no olhar da Martha e havia momentos, especialmente a altas horas da noite, em que procurava descobrir maneiras de retomar o relacionamento com o filho.

Bem gostaria de pegar no telefone e ligar-lhe, mas nunca conseguiu reunir o nimo para o fazer. Mark, pelo que sabia atravs da mulher, estava a sair-se muito bem sem a ajuda do pai.

Em vez da especializao em cirurgia, tornou-se mdico de famlia e, aps vrios meses passados a reunir os conhecimentos exigidos, foi para o estrangeiro como voluntrio de uma organizao internacional de auxlio aos desprotegidos.

Embora considerasse que se tratou de um gesto nobre, Paul no conseguiu deixar de pensar que Mark pretendera afastar-se dele o mais possvel. Duas semanas depois de o filho ter partido, Martha pediu o divrcio. Se as palavras de Mark o tinham feito zangar, as da Martha deixaram-no boquiaberto. Comeou a tentar dissuadi-la, mas a mulher no o deixou prosseguir.

Martha sorriu. E devias. Mas terias de o fazer por ser essa a tua vontade, no por pensares que isso que eu quero. Paul passou as semanas seguintes numa espcie de torpor e, um ms depois daquela conversa, aps ter sido submetida a uma operao rotineira, Jill Torrelson, de 62 anos de idade, natural de Rodanthe, Carolina do Norte, morreu na sala de recuperao.

Foi este golpe terrvel, vindo na sequncia dos outros, que, sabia-o agora, o tinha trazido at ali.. Bebido o caf, Paul voltou ao carro e dirigiu-se de novo para a estrada. Chegou a Morehead City trs quartos de hora mais tarde. Atravessou a ponte para Beaufort, contornou as rotundas e dirigiu-se para leste, na direco de Cedar Point. Abrandou a velocidade para apreciar devidamente a beleza serena daquelas terras baixas da faixa costeira.

Como pde verificar, por aquelas bandas a vida era diferente. Sentia-se encantado porque as pessoas que conduziam em sentido contrrio o cumprimentavam com acenos, maravilhou-se com o grupo de idosos sentados no banco do exterior de uma bomba de gasolina, que pareciam no ter mais nada que fazer do que observarem os automoveis que passavam.

A meio da tarde apanhou o ferry para Ocracoke, uma vila no extremo sul dos Outer Banks. O barco s transportava mais quatro automveis, dando-lhe oportunidade, durante a viagem de duas horas, para confraternizar com alguns dos outros passageiros.

Passou a noite num motel de Ocracoke, acordou quando a bola de luz brilhante se elevou acima da gua e tomou o pequeno-almoo, passando as horas seguintes a passear pela vila rstica, a observar as pessoas que estavam a preparar casas para resistirem tempestade que se formava ao, largo da costa. Quando finalmente se sentiu pronto, atirou o saco de viagem para dentro do carro e comeou a dirigir-se para norte, para o lugar onde tinha de ir.

Os Outer Banks, pensou, tinham tanto de estranho como de mstico. No havia outro lugar assim, com os tufos de erva a emergirem das dunas arredondadas e os carvalhos martimos dobrados pela brisa que nunca deixava de soprar do oceano.

A ilha j estivera ligada ao continente, mas depois da ltima Idade Glaciar, o mar tinha inundado uma vasta rea, formando o Pamlico Sound, a oeste. Esta srie de ilhas teve a sua primeira estrada nos anos 50 do sculo XX;. Mesmo agora, o sistema ainda fazia parte dos hbitos locais, pois, enquanto conduzia, observava que havia rastos de pneus perto da linha de gua. O cu tinha clareado aos bocados e, embora as nuvens corressem apressadamente em direco ao horizonte, o sol aparecia por entre elas, cobrindo a terra de um brilho branco e agreste.

Ouvia a violncia do oceano, cujo bramido se sobrepunha ao barulho do motor.

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Como os Outer Banks eram pouco povoados nesta altura do ano, tinha aquele troo de estrada s para si. No meio da solido, voltou a pensar na Martha. O processo de divrcio terminara havia poucos meses, mas fora por comum acordo. Sabia que ela andava a sair com outro homem, suspeitando at que j o fizesse antes da separao, mas isso no tinha importncia.

Nada lhe parecia importante naquela altura. Quando ela saiu de casa, Paul achou que devia passar a trabalhar menos, pensando que precisava de tempo para ordenar as coisas. Passados meses, em vez de ter voltado rotina anterior, fez um novo corte nos seus compromissos.

Continuou a correr com regularidade, mas em vez de ler as pginas financeiras logo pela manh, achou que tal leitura tinha perdido todo o interesse. At onde a sua memria alcanava, sempre necessitara apenas de seis horas de sono por noite; mas, por estranho que parecesse, quanto mais diminua o ritmo da vida que fazia anteriormente, mais horas parecia precisar para se sentir repousado. Tambm reparou em outras mudanas a nvel fsico.

Pela primeira vez, em muitos anos, sentiu que os msculos dos ombros se descontraam. As rugas do rosto, aprofundadas com a passagem do tempo, eram ainda bem visveis, mas a intensidade que costumava notar na sua expresso tinha sido substituda por uma espcie de melancolia resignada.

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E parecia-lhe, devia estar a imaginar coisas, que as entradas do cabelo, j acinzentado, tinham deixado de aumentar. Pensara ter tudo, numa determinada altura da vida. Tinha corrido, seguindo sempre em frente, atingira o pinculo do xito; agora, contudo, percebia que nunca tinha seguido o conselho dado pelo pai. Tinha andado toda a sua vida a. Tinha 54 anos e estava sozinho no mundo; ao olhar a tira de asfalto sua frente, tambm ela vazia, no conseguia deixar de perguntar a si mesmo a razo que o levara a passar a vida a correr.

Sabendo que j estava perto, Paul preparou-se para a ltima etapa da viagem. Ia ficar numa pequena penso pouco afastada da estrada, com cama e pequeno-almoo, e quando chegou aos arredores de Rodanthe, reconheceu logo onde estava.

No centro, se ainda se podia chamar assim, havia vrias lojas que pareciam vender praticamente de tudo. O supermercado tanto vendia mquinas como material de pesca e artigos de mercearia; a bomba de gasolina tambm tinha pneus e sobressalentes para automveis, alm de oferecer servios de mecnica.

No viu necessidade de pedir orientaes e um minuto depois saiu da estrada, entrou numa vereda com gravilha, a pensar que a estalagem de Rodanthe era bem mais encantadora do que tinha imaginado. Tratava-se de uma construo vitoriana, que demonstrava idade, com venezianas pintadas de preto e um alpendre convidativo. Nos corrimes havia vasos com amores-perfeitos e a bandeira americana ondulava ao vento.

Pegou nas suas coisas, pendurou os sacos no ombro, subiu os degraus e entrou. O cho era de pinho, estava desgastado pelas areias agarradas s muitas solas que o tinham pisado e no tinha o aspecto formal do pavimento da sua antiga casa.

Cheirou-lhe a caf acabado de fazer e viu que tinha um pequeno prato de bolachas sua espera. Pensou que o proprietrio estaria do lado direito e seguiu nessa direco. Embora tivesse visto um pequeno balco, onde era suposto fazer a inscrio, no havia ali ningum. O armrio das chaves era no canto por detrs do balco, com porta-chaves que representavam miniaturas de faris. Tocou a campainha quando chegou junto do balco, a chamar a ateno de algum que o pudesse atender. Esperou, voltou a tocar e pareceu-lhe ouvir um som de choro abafado.

Parecia vir de um ponto no fundo da casa. Ps os sacos no cho e, dando a volta ao. Havia artigos de mercearia, ainda dentro dos sacos, em cima da bancada. A porta das traseiras estava aberta, como a convid-lo a avanar, e quando saiu para o alpendre ouviu as tbuas a rangerem.

Havia duas cadeiras de balouo do lado esquerdo, com uma pequena mesa entre ambas; do lado direito, encontrou a fonte do som. Ela estava de p, no canto de onde se avistava o oceano. Tal como ele, usava calas de ganga desbotadas, mas vestia uma espessa camisola de gola alta. O cabelo castanho-claro estava penteado para trs, com alguns cabelos soltos a esvoaarem com o vento.

Viu-a voltar a cabea ao ouvir o som das botas nas tbuas do alpendre. Uma dezena de gaivotas revoluteavam no cu por detrs dela e uma chvena de caf fora abandonada em cima do corrimo.. Paul desviou os olhos, mas voltou a olhar para ela pouco depois.

Embora estivesse a chorar, via-se que era bonita, mas, pelo ar de tristeza e pela agitao que demonstrava, Paul concluiu que a mulher nem tinha conscincia disso. E esse pormenor, que nunca deixaria de ressaltar sempre que ele recordava aquele momento, s servia para a tornar ainda mais atraente. Adrienne tinha-se calado e ficara a olhar o cu pela janela. Deixara de chover; visto atravs da vidraa, o cu parecia carregado de manchas escuras. No silncio que se seguiu, Amanda conseguia at ouvir o zumbido montono do frigorfico.

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Quer dizer, quem era ele? Em vez de responder, Adrienne pegou na garrafa de vinho. Abriu-a com movimentos deliberadamente lentos. Encheu o seu copo e depois o da filha. Adrienne empurrou o copo na direco da filha. Quando a Jean me pediu para eu tomar conta da estalagem? Antes de responder, Amanda teve de pensar um bocado. Quando a me recomeou a falar, Amanda deu consigo a pegar no copo de vinho, tentando adivinhar aonde que a conversa as iria levar.

SEIS Paul tinha vindo a Rodanthe a pedido de Robert Torrelson; enquanto tirava umas coisas dos sacos para as guardar nas gavetas da cmoda, dava voltas cabea a tentar descobrir o que Robert teria para lhe dizer, ou se estaria espera de que Paul fizesse as despesas da conversa.

Jill Torrelson tinha ido consult-lo por ter um meningioma. Um tumor benigno, no lhe punha a vida em perigo mas era feio, para no dizer pior. O meningioma estava do lado direito do rosto e cobria toda a zona desde a ponte do nariz e por cima do malar, formando uma massa bulbosa e arroxeada, pontilhada de cicatrizes nos stios onde, ao longo de anos, os tecidos ulceraram.

Paul j havia operado dezenas de pacientes com meningiomas e recebera muitas cartas de pessoas que se tinham submetido operao, nas quais expressavam a maior gratido pelo que o cirurgio fizera por elas.

J tinha revisto o caso mais de um milhar de vezes, mas continuava sem saber a razo da morte da doente. Nem era possvel, segundo parecia, que a cincia pudesse fornecer uma resposta. A autpsia de Jill fora inconclusiva, sem se conseguir determinar a causa da morte. Tinham comeado por admitir que a doente fora vtima de uma espcie de embolia, mas no conseguiram reunir provas disso. Depois, concentraram-se na ideia de que sofrera uma reaco alrgica anestesia ou medicao ps-operatria, mas tambm essa hiptese acabou por ser posta de parte.

Portanto, fora negligncia da parte de Paul; a cirurgia tinha decorrido sem contratempos e o exame minucioso do mdico-legista no tinha apontado qualquer falha no procedimento normal naqueles casos, nem nada que pudesse, mesmo remotamente, ter sido responsvel pelo bito. O registo em vdeo confirmou isso mesmo. Por se tratar de um meningioma tpico, a operao tinha sido gravada pelo hospital para possvel utilizao nas aulas prticas da faculdade. Mais tarde, a gravao fora vista pelo conselho de cirurgies do hospital, a que se juntaram mais trs colegas de outros hospitais do Estado.

Uma vez mais, no se descobriu nada de errado. E o relatrio mencionava vrios estados patolgicos. Jill Torrelson tinha excesso de peso e as artrias estavam endurecidas; com o tempo, teria de ser operada s coronrias.

Era diabtica e, como fumadora de longa data, estava a comear a sofrer de enfisema pulmonar, embora, uma vez mais, nenhuma destas doenas parecesse.

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Aparentemente, Jill Torrelson morreu sem qualquer motivo, como se, no momento, Deus tivesse decidido cham-la Sua presena. Como muitas outras pessoas na mesma situao, Robert Torrelson tinha posto o caso em tribunal.

Como rus, eram indicados Paul, o hospital e o anestesista. Paul, como a maioria do cirurgies, tinha um seguro para cobrir aquele tipo de situaes.

Como era de rotina, foi aconselhado a no falar com Robert Torrelson sem que o seu advogado estivesse presente e, mesmo ento, s se estivesse a ser interrogado e se desse a circunstncia de Robert tambm se encontrar na sala.

O caso arrastou-se durante um ano, sem soluo. Logo que o advogado de Robert Torrelson recebeu o relatrio da autpsia, encarregou outro cirurgio de rever a gravao de vdeo; os advogados da companhia de seguros e do hospital comearam a colocar obstculos processuais para arrastarem o caso e fazerem subir os custos, pois o advogado de Torrelson tinha pintado um quadro negro das exigncias do seu cliente.

Embora sem o dizerem directamente, os advogados da companhia de seguros esperavam que Robert Torrelson acabasse por desistir do processo. Tinha acontecido o mesmo nos outros processos postos a correr contra Paul Flanner, se pusermos de lado o facto de, dois meses antes, Paul ter recebido um bilhete pessoal de Robert Torrelson.

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No precisava de o trazer consigo para recordar o que l tinha sido escrito. Caro Dr. Flanner, Gostaria de falar consigo em pessoa.

Isto muito importante para mim. Por favor, Robert Torrelson Escrevera o endereo no final da carta. Recebida a carta, Paul mostrou-a aos advogados, que o aconselharam a no responder. Os seus antigos colegas do hospital disseram o mesmo. Que deixasse. Mas aquele pedido simples de Robert Torrelson, por cima de uma assinatura cuidadosamente desenhada, tinha mexido com Paul e ele decidiu no ligar s recomendaes.

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Segundo a sua maneira actual de pensar, tinha ignorado demasiadas coisas. Paul vestiu o casaco, desceu a escada e saiu pela porta da frente, dirigindo-se para o carro. Pegou na bolsa de pele que estava no banco da frente, que continha os bilhetes e o passaporte mas, em vez de voltar para dentro, deu a volta pela parte lateral da casa. O vento era mais forte do lado da praia e Paul teve de parar uns momentos para fechar o casaco. Apertando a bolsa debaixo do brao, agarrou o casaco com ambas as mos e baixou a cabea, sentindo que a brisa parecia morder-lhe as mas do rosto.

O cu recordou-o de outros cus que vira em Baltimore antes das tempestades que tingiam todo o mundo com manchas de cinzento desmaiado. L longe, avistou um pelicano a deslizar por cima da gua, de asas paradas, limitando-sea flutuar contra o vento.

Bem gostava de saber para onde a ave iria quando a tempestade atingisse a mxima fora. Paul parou perto da gua. As ondas rolavam para a praia vindas de duas direces diferentes, fazendo saltar espuma quando colidiam. O ar estava hmido e frio. Olhando por cima do ombro, avistou o brilho amarelado da lmpada da cozinha da estalagem. Como se fosse um fantasma, a silhueta de Adrienne passou pelo vo da janela e desapareceu da vista. Pensou que na manh seguinte tentaria falar com Robert Torrelson.

A tempestade era esperada durante a tarde e era provvel que se mantivesse durante boa parte do fim-de-semana, mas poderia fazer a visita se o tempo permitisse. No queria protelar a visita para segunda-feira, pois o seu voo tinha a partida marcada para a tarde de tera-feira, o que obrigava a sair de Rodanthe s nove da manh, no mximo. No desejava correr o risco de no falar com o homem, mas por causa da tempestade, o tempo estava a ficar curto. Segunda-feira era provvel que as linhas de transporte de energia tivessem sido derrubadas, podia haver inundaes e, passada a tormenta, Robert Torrelson poderia ter de tomar conta sabe-se l de quem.

Paul nunca tinha estado em Rodanthe, mas calculava que perderia apenas uns minutos para encontrar a casa. Na sua avaliao, a cidade no devia ter mais do que umas dezenas de ruas e poderia ser percorrida de ponta a ponta em menos meia hora. Depois de passar alguns momentos no areal, Paul virou-se e iniciou o percurso de regresso estalagem. No caminho, tornou a ver Adrienne de relance, quando ela passou pelo vo de uma janela. O sorriso, pensou para consigo.

Gostava do sorriso dela. Adrienne deu consigo a olhar atravs da janela, a v-lo regressar da praia. Estava a desempacotar os artigos de mercearia, fazendo o seu melhor para os colocar nos armrios que lhes estavam destinados. No princpio da tarde baixara tudo o que a Jean tinha determinado, mas agora perguntava-se se no deveria ter esperado a chegada de Paul, para lhe perguntar se tinha preferncia por alguma comida especial.

Esta visita intrigava-a. Soube, atravs da Jean, que ele tinha telefonado seis semanas antes, que o informara de que ia fechar depois do Ano Novo e que no voltaria a abrir antes de Abril, mas ele oferecera-se para pagar o dobro do preo normal, desde que ela mantivesse a estalagem aberta durante mais uma semana.

Este homem no estava de frias, disso tinha a certeza. No s por Rodanthe no ser um destino popular durante os meses de Inverno, mas tambm por ele na se enquadrar ano turista normal. Alm disso, quando chegou, no mostrou ser uma pessoa que veio para um stio daqueles procura de descanso.

Tambm no dissera que estava a visita a familiares, o que talvez quisesse dizer que estava aqui por motivos profissionais. Contudo, nem isso fazia muito sentido.

Para alm da pesca e do turismo, poucas mais actividades havia em Rodanthe; com excepo das lojas que satisfaziam as necessidades dos habitantes da terra, a maioria dos negociantes fechava as portas durante o Inverno. Continuava procura de uma explicao quando lhe sentiu os passos na escada das traseiras.

Ficou a ouvi-lo bater os ps para deixar a areia fora de casa. A porta das traseiras foi aberta momentos depois e Paul entrou na cozinha. Enquanto ficou a v-lo libertar-se do casaco, notou que ele tinha a ponta do nariz vermelha. Adrienne ps uma caixa de biscoitos no armrio e olhou por cima do ombro, para lhe responder.

Tive de ligar o aquecimento. Mas esta casa no das que faz um uso mais eficiente da energia. Na verdade, estou a sentir o vento que entra pelas frinchas das janelas. Paul esfregou os braos. Ainda h por a caf? Acho que uma chvena vinha a calhar para me aquecer - provvel que j no esteja grande coisa.

Vou pr a cafeteira ao lume. Demora apenas uns minutos. Talvez tambm beba uma chvena. Vou s pr o casaco no quarto e lavar-me; deso logo a seguir. Brindou-a com um sorriso antes de sair da cozinha e Adrienne sentiu que expirava violentamente o ar, pois no se apercebera de que tinha sustido a respirao. Durante a ausncia dele, moeu uma mo-cheia de gros, mudou o filtro e comeou a fazer o caf. Pegou no bule de prata, despejou o contedo pelo cano do lava-loua e lavou tudo.

Enquanto trabalhava, nunca deixou de o ouvir a mexer-se no andar de cima. Embora soubesse com antecedncia que Paul ia ser o nico hspede durante o fim-de-semana, no se tinha apercebido de quanto parecia estranho estar naquela casa com ele. Ou sozinha, ponto final. Alm disso, eram da famlia.

No era bem a mesma situao em que se via naquele momento, nem conseguia escapar sensao de que estava a viver a vida de uma outra pessoa, uma vida cujas normas no dominava inteiramente. Serviu-se de uma chvena de caf e despejou o restante no bule de prata. Estava a levar a bandeja com o bule para a sala quando o ouviu a descer a escada. Quer que acenda a lareira? Chegou-lhe o cheiro da gua-de-colnia logo que ele entrou na sala. Encheulhe a chvena. Sinto-me confortvel. Talvez mais tarde.

Ela assentiu e deu um ligeiro passo atrs. Deixei-a em cima da bancada. Paul levantou os olhos para ela. Havia um certo ar de expectativa na forma como fez a pergunta, como se efectivamente quisesse que ela ficasse. Adrienne hesitou. Jean era especialista em conversas de salo com estranhos, mas ela nunca o fora. No entanto, sentiu-se lisonjeada pela oferta, embora sem saber bem porqu. Quando ela regressou, Paul estava sentado numa das cadeiras de balouo, junto da lareira.

Com fotografias a preto e branco penduradas na parede, retratando cenas da vida nos Outer Banks na dcada de , mais uma prateleira comprida cheia de livros muito usados, esta sempre fora a sua sala preferida naquela casa. Sa parede do lado do oceano havia duas janelas.

Junto da lareira tinham colocado uma pequena pilha de lenha e tambm uma cesta de aparas de madeira, um ambiente propcio a um confortvel sero em famlia. Paul tinha pousado a chvena em cima de uma perna, fazia a cadeira balouar e olhava o horizonte.

O vento fazia revolutear a areia e o nevoeiro estava a aproximar-se, dando ao ambiente exterior uma atmosfera de crepsculo. Adrienne sentou-se na outra cadeira e, por momentos, ficou a olhar a cena em silncio, tentando no se mostrar nervosa. Paul voltou-se para ela. Adrienne passou a mo pelo cabelo.

Esta casa est aqui h sessenta anos e ainda no foi levada. Uma das grandes, como esta de que estamos espera? Mas j aconteceu Jean, pelo que no deve ser assim to mau. Contudo, h que diz-lo, ela de c, deve estar habituada. Enquanto ouvia a resposta, Paul deu consigo a avali-la. Mais nova uns anos do que ele, cabelo castanho-claro cortado um pouco acima dos ombros e ligeiramente encaracolado. No era magra, mas tambm no era pesada; para ele, era uma mulher atraente, segundo uma perspectiva que punha de parte os padres irrealistas da televiso e das revistas.

Tinha uma ligeira bossa no nariz, ps-degalinha volta dos olhos e, quanto pele, atingira aquele estdio intermdio entre a juventude e a velhice, antes de a fora da gravidade comear a exigir o seu tributo.

Jean foi uma das minhas colegas de quarto e nunca perdemos o contacto. Esta casa pertenceu aos avs dela, mas os pais converteram-na numa estalagem. Depois de combinar a sua vinda, pediu-me que a substitusse por ter de assistir a um casamento, fora da cidade. J alguma vez l esteve? Quando ia a Greenville, costumava passar por l. Ao ouvir esta resposta, Adrienne ficou novamente a magicar no significado do endereo registado no formulrio de admisso.

Bebeu um gole de caf e pousou a chvena no regao. S responde se quiser. Simples curiosidade minha. Paul mudou um pouco de posio. Ele quer falar comigo em pessoa. A voz dele soava dura e longnqua, por momentos pareceu perdido nos seus prprios pensamentos. No silncio que se seguiu, Adrienne at conseguia ouvir o tremular da bandeira iada no mastro da frente.

Passados uns instantes, Paul pousou a chvena na mesa que estava entre ambos. Esperava ouvir uma resposta muito diferente. Mas essa no. No me parece suficientemente idosa para uma bibliotecria. Onde eu vivo, esto todas na casa dos sessenta. Ela sorriu.

Tenho trs filhos, o que me obriga a ter outra profisso: a de me. Desde que me levante s cinco da manh e no v para a cama antes da meia-noite, no assim to mau. Ele riu-se socapa e Adrienne sentiu que tambm comeava a sentir-se mais descontrada. Tem filhos? Um rapaz - respondeu, baixando os olhos por momentos, para logo continuar. Ofereceu-se como voluntrio para trabalhar uns anos numa clnica perto de Esmeraldas.

Ou melhor, da minha exmulher. Foi educado mais por ela do que por mim. Adrienne sorriu. Isto , mesmo depois de divorciados. Depois de se terem separado, no vulgar que as pessoas faam apreciaes desse gnero. Habitualmente, ao falarem dos antigos cnjuges, as pessoas lembram-se do que correu mal ou dos erros que o outro cometeu. Paul ficou a pensar se ela estaria a falar por experincia prpria; pareceu-lhe que sim. O que que gostam de fazer? Adrienne bebeu um gole de caf, pensando como lhe parecia estranho ouvilo pronunciar o seu nome.

Ora bem, vejamos Matt comeou por ser o trs-quartos da equipa de futebol e agora joga como defesa na equipa de basquetebol. Amanda adora teatro, acaba de conseguir o papel principal de Maria, de West Side Story. Quanto ao Dan Paul arregalou os olhos. Se lhe falasse das sas mudanas bruscas de humor e de atitudes, ou lhe descrevesse a trapalhada que vai nos quartos deles, talvez acabasse por pensar que eu estava a fazer um pssimo trabalho na educao dos meus filhos.

Paul sorriu. Pensaria apenas que estava a educar adolescentes. No o acompanhei tanto quanto devia. Tive um perodo na minha vida em que tinha por hbito trabalhar demasiado. Via-se que aquilo lhe custava a admitir e bem gostaria de saber a razo que o levava a falar do assunto.

Antes que pudesse ponderar devidamente a questo, o telefone tocou, fazendo que ambos voltassem as cabeas. Paul ficou a v-la afastar-se, voltando a notar que era uma mulher atraente.

A despeito do caminho que a sua prtica mdica tinha tomado nos anos mais recentes, sempre se interessara menos pela aparncia do que pelas qualidades que no esto vista: simpatia e integridade, humor e sensibilidade. Estava certo de que Adrienne possua todas essas qualidades, mas ficara com a sensao de que elas no tinham sido devidamente apreciadas durante muito tempo, talvez nem por ela prpria. Percebeu que ela se sentia nervosa da primeira vez que se sentou junto dele e viu nisso um pormenor extremamente afectuoso.

Era muito frequente, especialmente no seu tipo de trabalho, que as pessoas tentassem impressionar as outras, que se assegurassem de que estavam a dizer o que deviam, alardeando tudo o que faziam. Outras, pelo contrrio, falavam sem cessar, viam a conversa como uma via de sentido nico e nada era mais aborrecido do que aturar esses enfatuados.

Nenhuma daquelas descries parecia aplicar-se a Adrienne. E tinha de admitir que era agradvel poder falar com algum que no o conhecia. Durante os meses mais recentes, tinha alternado entre o isolamento e a fuga s perguntas sobre o modo como estava a sentir-se.

Alguns colegas, por mais de uma vez, recomendaram-lhe um bom psicoterapeuta e confidenciaramlhe que a pessoa em questo os tinha ajudado.

Paul cansara-se de explicar que sabia o que estava a fazer e que no tinha dvidas sobre a sua deciso. E estava ainda mais cansado de reparar nos olhares de preocupao com que os colegas o presenteavam ao ouvirem as explicaes que ele lhes dava. Mas havia qualquer coisa em Adrienne que o fazia sentir que esta mulher seria capaz de compreender a situao em que ele se encontrava. No conseguiria explicar a razo que o levava a pensar assim, nem isso interessava.

Fosse como fosse, tinha a certeza de estar a pensar acertadamente. Quando chegou cozinha, Adrienne estava de costas e continuava a falar ao telefone. Estava encostada bancada, com uma perna cruzada por cima da outra, a retorcer uma mecha de cabelos entre os dedos.

Pelo tom de voz, percebeu que estava a acabar e colocou a bandeja em cima da bancada. Pelo que ouvi, deve ser das grandes Oh, est bem Sim, acho que serei capaz de fazer isso. Quer dizer, depende da violncia que atingir, no? Diverte-te no casamento Paul estava a pr a chvena no lava-loua quando ela se voltou.

Quis ver o que tnhamos para jantar. Ele abriu a torneira. Mas posso esperar at que lhe d jeito. Depois, vendo o que ele se preparava para fazer, exclamou: - No, deixe-me fazer isso. Quem que o hspede? Paul desviou-se para o lado, permitindo que A irienne se uniasse a ele em frente do lava-loua.

Ela foi falando enquanto lavava as chvenas e o bule. Posso fazer o que lhe agradar mais, mas melhor que pense que o que no comer hoje ter provavelmente de comer amanh. No posso garantir que encontremos qualquer loja aberta durante este fim-de-semana. A escolha sua. J est descongelado. Vestindo-o por cima da camisola, continuou. Se no quiser, tambm no me faz diferena. Martha, a minha ex-mulher, estava sempre a experimentar novas receitas.

Depois que se foi embora, tenho comido quase sempre em restaurantes. Sei cozinhar, mas no sou uma chefe de cozinha. Regra geral, os meus filhos mostram-se mais interessados na quantidade do que na originalidade. No entanto, terei muito gosto em lhe dar uma ajuda.

Olhou para ele, surpreendida pela oferta. Se preferir ir l para cima descansar, ou ler, eu aviso-o quando estiver tudo pronto. Paul abanou a cabea.

Adrienne hesitou, a ponderar se deveria aceitar a oferta, enquanto se dirigia para a porta do outro lado da cozinha. Pode comear por descascar as batatas. Esto na despensa, mesmo ali em frente, na segunda prateleira e ao lado do arroz.

Paul dirigiu-se para a despensa. Enquanto abria o frigorfico para tirar o frango, ficou a v-lo pelo canto do olho, a pensar que o facto de ele estar a ajudla nos trabalhos da cozinha era simptico, mas sem deixar de ser um pouco embaraoso. O gesto revelava uma familiaridade que a deixava ligeiramente desconcertada. Ouviu a voz de Paul, vinda l de trs. A, no frigorfico, pergunto eu? Adrienne teve de desviar algumas coisas, antes de poder procurar na prateleira inferior.

Havia trs garrafas, mantidas no lugar por um frasco de picles. Ela pousou o frango na bancada e puxou uma das garrafas. Costumo beber um Chardonnay.

Tem algum? Paul atravessou a cozinha com as batatas na mo. Depois de as pousar em cima da bancada, pegou na garrafa de vinho. Adrienne viu-o analisar o rtulo antes de olhar para ela. Como que ser, se aqui diz que tem sabor a mas e a laranjas? Sabe onde que podemos encontrar um saca-rolhas? Deixe-me procurar. Abriu a gaveta por debaixo dos utenslios de cozinha, depois a seguinte, at que finalmente o descobriu. Ao entreg-lo, os dedos roaram pelos dele.

Com uma srie de movimentos rpidos, Paul tirou a rolha e p-la de lado. Os copos estavam pendurados por debaixo do armrio, perto do fogo. Tirou um e hesitou. Ele encheu dois copos e passou-lhe um. Cheirou o vinho e bebeu um pequeno gole, levando Adrienne a imit-lo.

Ainda com o sabor do vinho nas papilas gustativas, deu consigo a tentar perceber o significado de tudo o que estava a acontecer. Fez o vinho rodar dentro do copo. Tenho de me lembrar do nome. Adrienne sentiu um desejo sbito de recuar e deu um pequeno passo atrs. Achou a travessa dos assados por baixo do fogo. Paul pousou o copo na bancada e foi para junto do lava-loua.

Abriu a torneira, ensaboou as mos e esfregou-as. Ela reparou que ele esfregou a frente e. Ligou o fogo, ajustou a temperatura e sentiu o gs incendiar-se. Faz-lhe diferena? Paul riu-se socapa. Sou cirurgio respondeu. Logo que ele proferiu a palavra, tudo passou a fazer sentido: as rugas da cara, a intensidade do olhar, a maneira de lavar as mos.

Por que que no se lembrara antes? Paul colocou-se ao seu lado e pegou nas batatas, comeando a lav-las. Vendi a clnica no ms passado. Efectivamente, estou de viagem para o Equador para me juntar ao meu filho. Mas, devo confessar, eu tambm no dei ouvidos ao meu pai.

Tudo isso faz parte do processo de crescimento, penso eu. Por momentos, nenhum deles falou. Adrienne acrescentou diversos temperos ao frango. Paul iniciou a descasca das batatas, movendo as mos com eficincia.

Ela olhou-o de relance. Calculei que estivesse a dar-lhe instrues sobre o que h a fazer para preparar a casa. Isto , prestarei toda a ajuda necessria, se vier a precisar dela. O meu ex-marido que era bom com um martelo nas mos, eu no. Alis, falando francamente, ele tambm no era l grande coisa. Colocou a primeira batata na mquina de cortar e pegou numa outra. Adrienne nem estava muito certa de querer falar no assunto mas, mesmo assim, deu consigo a responder.

Mas ele saiu de casa um ano antes. De momento, como esto no perodo de frias escolares, foram visitar o pai. E o seu, foi h quanto tempo? Tudo acabou em Outubro do ano passado. Mas ela tambm tinha sado de casa um ano antes.