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MUSICAS DO MC CATRA PARA OUVIR E BAIXAR


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Publicado por:. Filipe Fernandes. Filhos de Catra preparam homenagem ao artista Filhos do cantor preparam turnê em homenagem ao pai.

Família conta com apoio de Anitta Família de Catra passa por dificuldades, mas conta com apoio de amigos.

Download WordPress Themes Free. Sua pele negra ficou reluzente em um vestido branco, sem mangas, com faixa na cintura em xadrez branco e rosa e flores coloridas aplicadas. Se Sílvia procurou garantir a ordem em seu mundo através de algum tipo de volt sorcery, a própria vida tra- tou de produzir seus efeitos sobre o seu objeto de arte. A colcha de plush que a cobre é estampada por uma grande imagem de um casal de felinos abraçados, aconchegados um ao outro. Um deles é sobre o Comando Vermelho.

Catra faz pertence a ele, continua o artista. É ainda em busca do elo com o divino que ele louva a Deus na aber- tura de seus shows. O pre- sente que ele deu pra gente que é o funk, vida loka. Isso é que eu vivo. Um dinheiro sadio. Que a cultura ocidental é toda manipulada?

Leva o homem contra a sua pró- pria natureza Nêgo jura fidelidade perante a Deus!! Que é contra a natureza do animal homem Catra, ou a sua fé em Deus, é por ele atribuída ao fato de Ele tê-lo salvo da vida errada. Saí de alma lavada. Foi do jeito que eu me senti. Mas é bom. Catra acredita que durante todo esse tempo foi enganado. A leitura de Mr. O que existe é o-p-o-r-t-u-n-i-d-a-d-e. Um povo próspero é onde todos produzem. Jesus caôzada é esse bagulho que pre- gam aí.

Jesus [com cara de] metrossexual Pois, mesmo passando pela Europa, foi em Israel que encontrou um mundo sem as opressoras hierarquias que guiam as pessoalizadas relações sociais estabelecidas em seu mundo de origem. As discrimina- ções. É tudo culpa dessa cultura ocidental. O que eu acho legal é como os pais ensinam os filhos a serem indepen- dentes. Catra é vivido de modo particular e em sua esfera doméstica.

Poderíamos pensar, junto com Marco Antonio Gonçalves, que Catra, como Jean Rouch, teria se tornado refém de seu próprio perso- nagem Gonçalves, , p.

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Como os animais, os homens podem e devem ter muitas fêmeas, e a melhor amiga da mulher deveria ser a amante de seu marido, pois ambas querem bem à mesma pessoa. Catra se justifica ainda através de dados concretos, afir- mando que esta lógica é similar a da favela, ou a de seus chefes. Dessa perspectiva, a estética revela o seu potencial político e conforma poderoso meio de acesso a questões costumeiramente evitadas e referidas de forma velada.

As narrativas pessoais de Mr. Catra compôs em hebraico com seu parceiro Sapinho, um judeu branco, nascido na Tijuca, o bairro no qual Catra viveu e que abriga a favela do Borel, território pelo qual ele antes circulou. Sapinho hoje vive em Israel e de policial passou a cantor de funk carioca. Catra e MC Sapinho.

Catra por meio das canções que exe- cuta. Estamos na passagem de som que antecede ao show que mais tarde Mr. Diferentemente do modo como se apresenta em seus shows — muito adornado por colares, anéis, pulseiras e relógio dourados, algum boné bem grande bordado também frequentemente em dourado, trajando calças jeans amplíssimas, ves- tindo blusas t-shirts e agasalhos fornecidos por seus patrocinadores, em sua maioria marcas associadas ao hip-hop paulistano, e calçando tênis de marcas estrangeiras, preferencialmente Nike, Puma, Adidas ou Reebok, de aspecto muito novo —, ele veste uma bermuda de microfibra estam- pada, sem qualquer marca evidente, um chinelo de dedo branco e verde da marca Havaianas e uma camiseta preta, com as mangas cortadas, da Termas 4x4, localizada no Centro da Cidade e que inspirou uma de suas canções.

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Traz ainda um par de óculos de sol sobre a cabeça, também sem marca. Parece recém-saído da praia. Catra como seu componente mais conhecido. Nesse exato momento Vem comigo Em seguida, Mr. Nem no circo tem, nem no circo tem! Naquele local! O MC desata o seu riso final, e o DJ eleva o som das batidas eletrônicas.

Catra e Jota ela- boraram um aspecto da vida pregressa dos dois. Jota, por sua vez, ao longo de mui- tos anos foi fiel de uma grande igreja neopentecostal, trabalhando na mesma. Garantia o seu sustento fazendo exatamente o que fez naquela tarde. Tocando ao teclado. Catra, tem salvado muita gente, mais até do que Jesus. Jota e Mr. Jota, igualmente, sequer cogita a possibilidade de uma vida sem Deus. A ironia permite, assim, que Mr. A história pessoal de Mr. Edward Sapir, , p.

Este é com- posto por Dr. Catra, além de Beto da Caixa que, passado um tempo, se afastou do grupo. Trabalham juntos e em separado, se apresentando em conjunto e mantendo seus trabalhos individuais. Em geral quem me ajudava era Thamyris, com sua voz potente. Rocha, ou simplesmente Felipe, como só Catra o trata. Catra e Dr.

Rocha formaram assim uma dupla de MCs, como era moda na época. Catra e Rocha, a despeito das diferenças em suas técnicas corporais, possuem histórias de vida com pontos em comum. Tanto que ele invadiu tudo. Invade qualquer lugar. E eu gosto disso. Acho legal isso. Podem vir mil barreiras, mas o funk, ele passa por todas essas barreiras. Faz parte do Rio de Janeiro. Ele mesmo se fixou. Tô aqui. Catra, Dr. Rocha e Jota. Catra, por sua vez, mantém negócios paralelos, o que contribui para que a engrenagem que se articula à sua volta continue em andamento.

Ouço os pés que deslizam sobre a pedra brita. O estilo manda que se mantenha o cenho fechado ou indiferente. Passamos pela antessala de piso de pedras. Rocha se junta a eles. Mas logo ele desaparece. E, como Jota, Kapella teve problemas com a polícia e foi Catra quem os ajudou a deles se desembaraçar. Sua mesa, colocada ao centro da sala de gravações, é uma espécie de centro nervoso do local. É também deste momento em diante que Jota passa a corresponder aos meus cumprimentos. A pouca riqueza harmônica do funk, como coloca Jota, contrasta ainda com outras de suas manifestações.

Vale notar que Bourdieu considera o potencial subversivo que os usos dos bens podem apresentar aos membros da classe traba- lhadora observando um explícito desafio das classes populares ao gosto burguês no âmbito da convivialidade produzida em torno da comida. O cara capricha na batida de todos os jeitos que ele pode colocar em cima de uma voz, só uma voz. É por este motivo que aquele que canta esta variante de funk rara- mente possui voz apropriada para cantar um melody.

Quando eu vi aquilo, que eu entrei na igreja que eu vi o teclado Vamos dizer Fiquei preso com aquilo ali. Assim, se o con- tatava um grupo de pagode precisando de um tecladista, ele aceitava. Do jazz, do RB [rhythm and blues] contemporâneo. O hip-hop é assim, para Jota, o ritmo dos poderosos.

Em qual- quer lugar do Brasil. Catra, por sua vez, é um MC, terminologia que se aplica ao can- tor de funk. Solta que eu sou o funk.

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Racionais e MV Bill só?! Marcelo D2?! E os underground? Diferentemente do autor moderno que constrói um texto semanticamente fechado Foucault, ; Barthes, , no funk é a arte enquanto vida que arrasta o artista. Louis Dumont delineia o individualismo ocidental em contraste com o sistema de castas indiano e com as sociedades tradicionais.

Eu me pergunto como ele conseguiu fazer aquilo. Mas desta vez tudo deu certo. Em seguida se mostra furioso. Sílvia saiu e levou a chave de casa. Vou até Guapimirim. Puta que o pariu! Sílvia é mó vacilona. Vai à praia e deixa a porra do tele- fone desligado.

O bagulho é daqui a pouco, tenho que trocar de roupa. A voz de Sandro, de uma potência que só os DJs possuem, me deixa ainda mais descentrada. Mas recobro o prumo.

Ficamos ouvindo. O meu amor Tem um jeito manso que é só seu E que me deixa louca Quando me beija a boca minha pele toda fica arrepiada E me beija com calma e fundo até minha alma se sentir beijada, ai [ Entrou com aquele suin- gue novo e juntou naquele beat eletrônico.

E veio para o Brasil. Eu peço a Sandro que grave um para mim também e Kapella pede a Catra que lhe deixe o cigarro que traz entre os dedos. Eu fico com Sandrinho. Sandro começou a dis- cotecar aos quinze anos de idade, e hoje concilia o trabalho com Mr.

Catra com a carreira independente que lhe garante sólida presença na Europa. Mas o que se afigura é que a agência do som parece ultrapassar a das palavras. Reproduzo a letra abaixo. Êta pô! Como é que é o bagulho?

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Do jeito que tem que ser! As palavras e os fraseados valem como mais um som, um instrumento musical. Seria outra pessoa. É assim que majoritariamente produzem inovações na cena funk. O interessante de um sampler é também ele ter sua origem reconhe- cível. O funk, inicialmente dançado em formato de soul na privile- giada Zona Sul do Rio de Janeiro, foi ressignificado nas favelas cariocas.

O que define o funk é o BPM. Porque o beat toca sozinho. Você sabe que é funk. Você vem cantando uma letra sensual, depois entra o beat. É o beat que dita Mr.

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É preciso se submeter ao seu beat. A gente fazia muita coisa em cima da base dos gringos. Agora a gente tem que criar. E essa que é a melhor, a coisa mais gostosa Mr.

Arnd Schneider , interessada mais especificamente nas incorporações feitas por artistas contemporâneos de elementos estrangeiros, condiciona a ativi- dade apropriativa à própria qualidade de otherness, de estrangeirismo, que deveria ter o elemento incorporado.

Foi desta maneira que Beto da Caixa e Catra come- çaram a trabalhar juntos. Beto era compositor, mas era também quem dirigia o carro para Catra fazer seus shows.

Passados muitos anos, Beto voltou a trabalhar com Catra, compondo e dirigindo. Muitos dos shows de Mr. Catra acompanhados por mim foram antecedidos ou sucedidos por apresentações de grupos de pagode.

O funk, como negócio, cresceu e junto veio a necessidade de transportar mais pessoas. Mas a ideologia da velocidade, associada ao novo e à tecnologia, permaneceu. Deixa os cara gravar porque ele sabe o que ele vai fazer. Você pegando uma coisa de um, com uma coisa de outro. Acesso em: 26 de agosto de Rocha, ao início deste capítulo. Aí faço uma parada maneira Rocha e Mr. No funk é o seguinte: você faz um som, leva num DJ, se o DJ da favela gostar do teu trabalho, o cara começa a executar na favela.

Rodrigo, o MC Novim, sobrinho de Mr. Veremos, inclusive, que muitas vezes o que se busca é o uso mais explícito possível desse significado. Tampouco é o social que o explica. O contraste entre uma e outra letra, acredito, ilustra bem o ponto que procuro fazer. Catra Este capítulo tem duas ambições fundamentais. Uma delas é trazer para o primeiro plano o artista Mr.

Até o momento, o tomamos como mais um dos que compõem a sua rede de relações, seja em seus ambientes doméstico ou artístico. Em alguns momentos, Mr. Em outros, Mr. Diferentemente de outros artistas funk, Mr. Catra canta MPB, reggae, hip-hop, pop, soul e samba. Este entrelaçar de diferentes gêneros musi- cais se faz presente igualmente em seu cotidiano profissional, através de seu trânsito por distintos universos sociais e estéticos cariocas, nacionais e globais.

Parece ser distintivo do funk uma lógica subversiva que se constrói a partir de uma dinâmica que toma o poder estabelecido oficialmente e o gosto a ele associado de modo contrastivo. Veremos, assim, que juntamente à habilidade de desafiar o outro rival, as oposições, ao invés de reificadas, tornam-se embaralhadas. Como antecipei, Wagner permite-me avançar em minhas elabora- ções sobre o funk, de uma perspectiva de viés mais sociológico para uma que entendo como sendo mais propriamente antropológica.

E foi por este motivo que Mr. Evoluiu do mesmo modo lento, extenso e intenso com que se desenrolou o meu trabalho de campo. Falavam do mesmo mas em outro registro, no registro da arte. É por este motivo que Mr. Vamos traficar cultura Desentoca dessa Marca atividade O negócio é plantar pra colher [Essa parada.

Sem neurose. Isso daí é a realidade do cotidiano. Esta retórica esteve presente nas falas de Mr. Sugiro, entretanto, que esta ideia é fortemente compatível com o universo em que pesquisei. O funk carioca é produto desse ir e vir entre sociedade formal e informal do qual Catra é, nesse sentido, um expoente.

Diferentes mas iguais. Além disso, para quem compreende o dialeto próprio às facções, ela discorre explicitamente sobre grupos cri- minosos rivais e seus principais chefes.

Mas estas narrativas descrevem o outro inimigo mais como um rival que estimula a disputa, do que como ameaça disruptiva. Dono de uma voz rouca e melódica, que faz interessante contraste com outras vozes funk, Mr. Ele canta, Civic Honda [ha, ha, ha] Civic Honda Uísque e Red Bull Catra, Cidinho e Doca. Ele sabia que eu queria conversar e ele mesmo me avisara, em minha chegada, que estava com especial vontade de falar. Pais, muitos deles com suas bicicletas, aguardando a saída de seus filhos de uma escola municipal próxima.

Eu disse-lhe que ele precisava falar mais alto, porque ele falava coisas importantes e assim nada seria registrado. Eu me considero funkeiro. É o som que me lançou, foi o som com que me identifiquei, é a cultura que eu alterei, que eu tenho liberdade para mexer. Do beat, até a dança, até as levadas, até o flow Foi a cultura que me abraçou, que me adotou.

E se hoje eu tenho alguma coisa é graças ao funk. É a minha cultura de verdade, porque eu faço do meu jeito, do jeito que eu quero fazer. Do jeito que a minha cultura me aceita. Porque a minha referência no funk sou eu mesmo. Escolhi [o funk] em primeiro lugar porque é o lance mais autêntico pra se fazer.

Eu seria alguém. Se eu fosse alguém na cultura do samba, eu seria mais um do samba; do rock, eu seria mais um do rock; do rap, eu seria mais um do rap. Porque [sendo] playboy, você só é playboy. Catra confunde, subverte os papéis.

Foi isto que seu pai Edgard lhe ensinou a fazer, misturas e mediações de um modo que, acredita Catra, é mais próprio ao negro. E foi na escola que montou sua primeira banda, de rock, que se chamou O Beco. Mais tarde ele formou o grupo de hip-hop O Contexto. Catra e Duda do Borel. Catra, no interior da casa, se postara à janela para acompanhar de longe o desenlace do entrevero, ladeado por Sapinho. Sílvia desce as escadas de seu quarto e, com olhar altivo e certo desdém, passa por nós, sai pelo jardim e desfaz o mal-entendido, enquanto os dois homens olhavam e davam ordens da janela.

Catra e de sua família como um todo.

O que penso era novidade para a família foi o fato de eu ter vivido alguns anos em Israel, como expliquei em res- posta à pergunta de Sapinho, relatando os lugares por onde morei. Sai pelo jardim enquanto veste uma t-shirt branca com dizeres em preto, da RapSoulFunk, a empresa que gerencia artistas de hip-hop e funk e com a qual ele tem conexões.

Muito louco! Ele, como Primo Preto, é negro e escolheu o Rap, mas veio de família em que conviviam brancos e negros. Ele refaz a letra com a ajuda de Dr. Rocha, que a reescreve em uma folha de papel, corrigindo a sua métrica.

Rocha é uma figura mais fechada, introspectiva. É de alguma maneira o intelectual do grupo, enquanto Catra é o filósofo. Rocha é como o duplo do cantor, cuidando para que as ideias que compartilham sejam passadas do modo que julgam adequado.

O mesmo se deu quando eu conversava a dois com Kapella e em outros momentos. Catra diz a Sapinho que ele precisa rever o teor de sua letra. Pegar quarenta cabaços. Que problema Além de ter problema com mulher a vida inteira, ainda arruma problema depois da morte.

Pô, [a pessoa] vai morrê, [ao] invés de pegar quarenta piranha, vai pegar quarenta cabaços? Por que só você bota essa sua cara horrível ali, cara? Porra, toda hora abre a porra vem um feioso ali. Só homem no bagulho, mó carona feia.

Catra refere-se à imagem que o jovem DJ colocou como o ícone de seu HD na tela do monitor do computador. Eu tô fazendo o esboço do bagulho. Pô, cê quer fazer os bagulho Calma, cara. O Sapinho viaja.

Pô, você é muito louco. É demais, parceiro. A putaria apresenta traços de continuidade com o proibido. Além disso, ela retém o elemento transgressor do proibido.

Sem contar que a ressonância de um e outro subgênero, proibido e putaria, marcam momentos distintos da trajetória histórica do funk.

Passada a moda dos proi- bidões, o elemento subversivo permanece atuante na putaria. Oi cachorro Quer din din? Pede um X9 pra mim Quer din din? É aí que chega a hora da cultura. E o funkeiro tem muito disso. O funkeiro curte um som que ninguém imagina. De alguns ele gosta mais, de outros menos, podemos perceber. Chega de funk. Como ele fez antes de parodiar o rock nacional na boate Baronetti, localizada no privilegiado bairro de Ipanema e detentora do ingresso mais caro dentre os locais pelos quais circulei com o artista.

Agora chega. Para, para. E evidencia mais uma vez o aspecto englobante do funk. Sabe esses dias que tu acorda de ressaca? Sabe estes dias em que horas dizem nada? A boneca de Mr. Catra, como a original, traria consigo um imóvel. Catra, ao elaborar sobre o repertório que a cultura lhe oferece, pro- duz o deslize presente no trabalho do bricoleur. Sem jamais completar seu projeto, o bricoleur sempre coloca nele alguma coisa de si Lévi-Strauss, [], p.

Contudo, argumento eu, é através das operações miméticas que realiza, bem como do modo como se utiliza do humor e do riso, que ele se mantém coerente com o posicionamento político que veio expressando ao longo da pesquisa e que surge implícito nesta etnografia. O aspecto político é peça fundamental para se compreender Mr.

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Para uma síntese a respeito, ver Lagrou b. Para a maneira como o riso acom- panha acontecimentos cotidianos no contexto da favela, ver Goldstein Foi exatamente isso que presenciei quando, ainda ao início do traba- lho de campo, o DJ Edgar, antes de Mr. E eu acrescentaria, qualquer lógica subvertida. O corpo é sujeito de suas escolhas. Deve-se buscar o significado do objeto de maneira que se entenda por que os objetos se tornam significativos para as pessoas, ao ponto de as pessoas passarem a se identificar com os objetos ou até se indiferencia- rem deles.

Os autores sugerem ainda um uso apenas heurístico para o que possamos vir a chamar de coisa. Ao longo de toda a tese, adoto as diferentes perspectivas sobre o objeto material como destacadas acima. A ferramenta, que Ingold igualmente define como estendendo a capacidade de um agente Ingold, , p. A primeira vez em que notei o seu poder transformador foi em Tina, como chama- rei a moça que trabalhava na casa de Sílvia assim que iniciei meu campo.

Sílvia viera me buscar para que fôssemos ao baile do Tuiuti, uma favela na Zona Norte da cidade. Nesta noite ela trajava um vestido vermelho e trazia seus cabelos negros alongados. Eu chegara na casa sem avisar, para mais uma visita. Os cabelos estiveram todo o tempo presentes, contudo foi em seu uso ambíguo que eles revelaram toda a sua potência. Sílvia, em seu sétimo mês de gravidez, viera dirigindo desde sua casa em Vargem Grande, bairro da Zona Oeste da cidade, e subira apressa- damente as escadas do camarim em busca de um toalete.

Igualmente curto, seu vestido era do tipo tomara que caia e baloné: bufante e esvoaçante, solto no corpo e preso às coxas por uma barra larga, na mesma visco lycra que compu- nha a peça de roupa.

Esta malha, fina, fria e mole, era estampada por um motivo abstrato cujo estilo é inspirado nas estampas do designer italiano Emilio Pucci, de ares psicodélicos e hit da moda europeia da década Cíntia, através de suas roupas e cabelos, nos fala sobre sua habilidade em manipular representações. Quando deseja ou lhe é conveniente se apresenta como funkeira. E quando quer pode também passar por uma jetsetter internacional.

Ambas as roupas possuíam o mesmo estilo. O rapaz se aproxima de nós, cumpri- menta a Cíntia, que logo nos deixa. Muitas vezes, como aparece no primeiro capítulo, acompanhei o artista em suas turnês, do começo ao fim da noite. Em outras ocasiões seguia com Sílvia e suas amigas. Nos pés trazia 5 A marca Osklen inspirou o nome de um grupo de cantores e dançarinos de funk, o Bonde da Oskley.

Entendem que o jogo com o nome de sua etiqueta, que remete ainda ao de uma outra marca muito apreciada por funkeiros, a Oakley, indica a incapacidade destes de proferir de forma correta o nome Osklen. Ele vestia uma calça social preta, de pregas e pernas soltas, uma camisa também social, de listras azul e branco, para dentro da calça, sobre uma blusa t-shirt de malha branca, cuja gola careca aparecia pelo colarinho branco da camisa, de punhos também brancos, que estava aberto.

De fora de onde? Eles quem? Os de fora da favela ou os de fora da Zona Sul? Território que é todo ele de Maiquinho e seus pares. Chegamos ao Leblon, e decido seguir pela rota que margeia a praia.

Caímos no início da avenida Delfim Moreira. Aprendeu o seu ofício junto com uma amiga, cada uma colocando extensões nos cabelos da outra. Em cada cabeça coloca-se cinco a seis amarrados de cabelo. Encontrei com Taninha na casa de Sílvia em três diferentes oca- siões. Na primeira vez ela fazia os cabelos de Tina, como descrevi no começo deste capítulo, tarde que corresponde a um momento mais ini- cial da pesquisa de campo.

Por este motivo, moças de corpos magros e poucas curvas elegiam peças de rou- pas alternativas. Além disso, o moletom stretch, o tecido que compõe o estilo, apesar de ser uma malha, era suficientemente resistente para receber as ações embelezadoras que a fizeram peça de roupa apropriada para a esfera da festa, com elaborações barrocas como bordados, cris- tais, perfurações, tachas de metal, encaixes de outros tecidos, rendas e telas.

Ao invés de circunscreverem as pessoas, os cabelos as magnificam, as levam pela cidade, que era o que lhes interessava agora, mais do que dançar. Adriene e Lívia foram minhas interlocutoras durante a pesquisa de mestrado. A segunda, moradora do Morro da Coroa, no bairro do Catumbi, Zona Central da cidade, tampouco usava sua calça ao dançar nas boates do Centro da Cidade. Explorara sim os cabelos masculinos, sobre os quais elaborarei no capítulo a seguir.

O cabelo é a coisa mais importante, mapoa Por isso posso pensar que a bunda é o mais importante. E cachos bem alinhados exi- gem que sejam molhados diariamente para depois receberem o creme de pentear. Como resultado, as extensões permitem maior versatili- dade, possibilitando escapar aos alisamentos que usaram no passado, e eram mais ou menos definitivos. As produções dos cabelos foram, contudo, acompa- nhadas das produções por todo o corpo. Célia e Thamyris, por sua vez, arrumavam-se para sair.

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Pergunto a Thamyris se posso tocar seus cabelos, e ela diz que sim. Resolvo ir com elas. Ao longo da pesquisa de campo, Mr. Estas blusas custavam entre cinco e vinte reais e eram vendidas de porta em porta, em pequenas lojas e nas fei- rinhas.

Esta é desenvolvida de modo a atender o gosto local. O gosto global precisa se submeter às suas vontades. Célia, após ter saído de casa aos treze anos, foi morar na rua, em Copacabana. Na noite seguinte, ele voltou e ela, para se defender, cortou dois de seus dedos com um caco de vidro. Célia foi até o policial e disse-lhe que era ela a autora dos cortes.

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E assim foi presa. Célia, à época do trabalho de campo, estava com trinta e seis anos e se dizia muito grata a Deus por ter o emprego em casa de Sílvia. Célia, passado um tempo, começou a se transformar, deixou de ser doce, parou de tratar de seus cabelos e foi aos poucos se ausentando, até desaparecer da casa.

Frequentemente perguntei por ela, até que me disseram que ela havia se viciado em crack, droga tida como altamente letal e que volta e meia ressurgia em narrativas que envolviam relações disruptivas. Como apareceu em Tina, que um dia retornou para sua casa e a encontrou vazia. Seu marido, também viciado nesta substância, havia desaparecido com todos os seus pertences. Chegamos a Madureira, após cinquenta minutos dirigindo.

Nos dirigimos para o display onde ficam os cabelos anelados e pretos. Célia é atraída pelo cabelo loiro. Vimos ocorrer procedimentos equivalentes com os bonequinhos de Sílvia, originalmente brancos e posteriormente pintados de preto, e com a prima de cabelos e olhos negros que tingiu os primeiros de loiro e os segundos por meio do uso de lentes de contato verdes. Entramos em um pequeno e simples prédio.

Penso que o seu bem-estar talvez fosse causado pelo frescor que o ar-condicionado produzia no ambiente. Ela paga ao entrar qua- renta e cinco reais, e Thamyris desembolsa um pouco mais do que o dobro desse valor. Mas ao fim tivemos uma tarde em que compartilhamos conversas que pareceu a todas nós muito interessar.

O processo de relaxamento é relativamente simples.