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BAIXAR CD BOI DA MAIOBA 2011


BAIXAR CD DO BOI DA MAIOBA - Um tipo de toada pra cada momento da festa como descreve no terceiro capítulo da tese. Os significados e rituais. BUMBA BOI DE MARACANÃ – BATALHÃO DE OURO 20 ANOS DE CANTORIA RIBINHA DE MARACANÃ. HOBEDÃO BAIXAR CD COMPLETO. Denunciar Afobado da Maioba Humberto Filho Baixar; Despedida. CD BOI DA MAIOBA BAIXAR - Segurando a filha nos braços fala de como o Bumba-Meu-Boi valoriza todos os participantes do grupo. Também nesse.

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2011 MAIOBA BAIXAR BOI DA CD

Universidade Estadual de Campinas, p. Com miçangas, canutilhos e lantejoulas, o couro apresenta e representa o universo simbólico do Bumba. Porta uma espingarda. O ciclo do totemismo. Couro do boi- peça bordada com desenhos variados em veludo, geralmente preto, com canutilhos, miçangas e lantejoulas multicoloridas que cobre a carcaça do boi-boneco. Alguns iniciam um grupo de Boi devido a um compromisso assumido por um parente, por motivo de doença, de partos complicados, problemas financeiros, dentre outros. O atual bairro do Monte Castelo32, antigo Areal, foi arena de outros confrontos nos anos 50, a exemplo de um relatado por Canuto Santos, envolvendo os Bois de Lauro e Misico; e de uma disputa. Rio de Janeiro. Na perspectiva de Marques , p. Quando a queima termina, sempre às 3 horas da madrugada, geralmente o boi sai com a carcaça inteira. O boi é colocado de frente para a cruz e, durante algum tempo, todos permanecem cantando e dançando ali.

BUMBA BOI DE MARACANÃ – BATALHÃO DE OURO 20 ANOS DE CANTORIA RIBINHA DE MARACANÃ. HOBEDÃO BAIXAR CD COMPLETO. Denunciar Afobado da Maioba Humberto Filho Baixar; Despedida. CD BOI DA MAIOBA BAIXAR - Segurando a filha nos braços fala de como o Bumba-Meu-Boi valoriza todos os participantes do grupo. Também nesse. BAIXAR CD BOI DA MAIOBA - Pedimos licença para o Grupo Cupuaçu e nos foi oferecido um universo cheio de mistérios, encantarias e símbolos. CD DO BOI DA MAIOBA BAIXAR - Quando um dança, um outro descansa nos braços das indiazinhas. Do que ela é feita? Caboclo de Pena e Índia Fotos: . CD DO BOI DA MAIOBA BAIXAR - Na festa Henrique Menezes complementa: Eu fiz, e hoje eu sou o Pai Francisco do Grupo Cupuaçu. Darcy Ribeiro; O.

Faltou comida aos convidados. Sanches, As narrativas acima apontam a multiplicidade de significados que a brincadeira apresenta, bem como assinalam a presença grandiosa do catolicismo popular, norteado principalmente pelos santos do período junino. Os trechos das toadas abaixo, permitem perceber, com clareza, a fé que os brincantes nutrem pelos demais santos.

Graça recebida, o próximo passo é seu pagamento. Acontece do camarada ficar bom, tem que fazer a festa. O santo cobra a gente, cobra mesmo, e o cara tem que fazer.

No dia 12 de outubro, dia da criança. No percurso, entretanto, ocorre, às vezes, do boi ser pego na beira do rio quando da passagem por alguns municípios. Papai morreu em , 28 de dezembro. É possível dizer ainda que nesse contexto, a religiosidade convive simultaneamente com os aspectos profanos e espetaculares da brincadeira. Ou seja, concebem-se junto ao universo religioso ações como beber, dançar, tocar, cantar e se divertir. Trata-se de um compromisso assumido entre os adeptos do Tambor de Mina e seus encantados que gostam do Bumba-meu-boi.

No seu caso, nem ela, nem ninguém da sua família era envolvido com a brincadeira, entretanto, foi convocada para botar um Boi de Encantado, inicialmente um boizinho de criança.

Essa é uma das celebrações mais populares da casa, iniciada com um Tambor de Mina para chamar os encantados da extensa família Légua que, depois de chegarem ao terreiro na cabeça de seus aparelhos,. Nesse caso, como relatou o pai-de-santo, o encantado vinha cobrando um Boi para que permanecesse no terreiro.

O Bumba-meu-boi apresenta-se, dessa forma, como um elemento simbólico unificador de crenças, que possibilita às pessoas estreitar relações com entidades espirituais cultuadas nos terreiros de Tambor de Mina, Umbanda, Pajelança e Terecô.

Matança, comédia, doidice ou palhaçada. Os Bois de Promessa O Bumba-meu-boi é possuidor de símbolos capazes de agir sobre as pessoas que o vivem de diferentes maneiras. Alguns iniciam um grupo de Boi devido a um compromisso assumido por um parente, por motivo de doença, de partos complicados, problemas financeiros, dentre outros. Como destaca Prado , de fato, a promessa difere das demais formas por ser antes um contrato desdobrado em dois tempos, onde as duas partes envolvidas, o santo e o promesseiro, têm cada um de cumprir com as partes que lhes cabe: o primeiro, executando o milagre; o segundo, providenciando o pagamento.

Ainda segundo a autora, o que se procura enfatizar é o sacrifício, inerente ao pagamento de um benefício concedido. É comum, ainda, o surgimento de grupos que se iniciam por conta de uma promessa e continuam após o cumprimento do acordo. Trata-se de uma promessa em que a carcaça do boi é confeccionada de maneira especial para o ritual de morte. Cada momento é visível e acessível aos participantes. Que a promessa que fiz pra ele Tava com uma febre doida.

Sabe o que eu fazia? No contexto dos cultos afros, também os promesseiros demandam por graças aos encantados. Iniciou assim, porque eu adoeci né? Só fiz a promessa assim, aí eu lutei, lutei, gastei muito Quando foi um ano aí aquela, veio aquela lembrança né?

Que eu tinha que fazer essa brincadeira. O pai-de-santo explica que Ronalda representa uma mulher e Afonso foi criado para representar o Rei Manuel, só que com aparência de um pai-de-santo. Como seu corpo jamais foi encontrado, o episódio gerou muitas lendas que alimentam o sonho do retorno do rei. Conforme relatos dos habitantes do lugar, o rei aparece na forma de um touro negro encantado, com uma estrela de ouro na testa. Como conseqüência, foi integrado ao universo do Bumba-meu-boi, sendo homenageado dentro e fora de terreiros em brincadeiras de Boi.

Nós chamamos vaqueiro. Dentro do nosso conhecimento, colocou o seu rei, abriu o touro e colocou o seu rei dentro do touro.

Isso é a lenda que eles contam. Ele relata que ficou com a idéia de que se tratava de uma promessa. Na seqüência da narrativa, lembra que no ano de , iria apresentar o Boi no mês de maio. À frente do grupo seguem as índias, cada uma segurando uma vela acesa. O gesto é repetido, por ela, dentro do cemitério. Magarefe é o primeiro a entrar. Os demais entram em seguida depois de fazer o sinal da cruz, em respeito ao lugar.

O boi é colocado de frente para a cruz e, durante algum tempo, todos permanecem cantando e dançando ali. Todos cantam as toadas numa grande roda em torno da cova e, ao som das cabaças e tambores, encerra-se a visita. Mas eu pra mim assim, eu acho que todos nós tem o dia de morrer. Eu pra mim quando o chega o dia de morrer, qualquer coisinha a gente morre.

Faço visita de cova. Porque o boi, ele é uma coisa que foi deixado sem dificuldade pra fazer essas coisas. O boi é da igreja, o boi é do cemitério, em todo lugar pode entrar, pode fazer a parte dele A gente canta, vai rezar o terço pro cliente que morreu, vai e canta o boi, todo mundo brincando ali o boi em cima da cova ali, a gente canta, Todo mundo, vai todo mundo, os componentes tudo.

Raimundo Miranda. Além do grupo, o boi-artefato também recebe um nome especial, em alguns casos coincidindo com o próprio nome do grupo. As denominações variam. Alguns nomes fazem referência à localidade do grupo, bairros ou cidades. Existem grupos em que a escolha dos nomes é permeada pelas relações com o sagrado.

E que ele assume sempre os papéis da classe dominante, contidos nos diversos enredos das comédias. LIMA, Encanta na noite escura de tambores, faiscando pedras preciosas que brilham à luz do fogo. Elemento unificador dentro da brincadeira, para o qual olhos e ouvidos se voltam, referência central, congregador de elementos. Saura, Além disso, é reconhecido como um líder, um representante legítimo, tanto por membros do grupo como pela comunidade.

É quem determina e conduz as principais normas a serem seguidas pelos brincantes. No espaço da festa, ele detém o poder, mantido principalmente pelo prestígio junto à comunidade. Uma variedade de estilos para celebrar a brincadeira, sendo essa uma particularidade Bumba-boi maranhense.

Nome de um rio genuinamente maranhense. Finalmente: sotaque é o estilo final de cada grupo. Outro aspecto que diferencia e legitima os sotaques é a presença de diferentes personagens e a musicalidade dos grupos. Para outros, significa a característica individual de cada grupo de Boi, ou seja, cada grupo um sotaque. Um levantamento em 80 dos municípios maranhenses apontou grupos de Bumba-meu-boi dos mais variados estilos.

Azevedo Neto compara o ritmo desse sotaque ao samba. Entre os personagens, destacam-se os rajados, vaqueiros campeadores e tapuias. Os rajados vestem saiote e gola adornada pelos bordados, que expressam motivos de fauna, flora ou elementos religiosos.

Os vaqueiros apresentam-se com as mesmas vestes, sendo seus chapéus em tamanho menor, sem as fitas. Diferentemente dos demais sotaques, as índias. Usam saiote, peitoral, perneira, tornozeleira, bracelete e cocar, feitos de penas de ema tingidas em cores variadas.

O cocar, também chamado capacete, chega a ter mais de um metro de diâmetro. Vestem-se à paisana ou com colete e chapéu bordados. Os rajados vestem saiote, gola bordada e um chapéu com aba bordada virada na frente. Trajam-se com calça e camisa de mangas compridas. Os grupos costumam dançar formando uma grande roda em volta do boi e de outros personagens, como o amo, vaqueiros e Pai Francisco.

O ritmo dos grupos do sotaque da Ilha é mais lento que o dos grupos do sotaque de Zabumba. Dentre os personagens, encontram-se os rajados, os cazumbas, as índias, o amo e os vaqueiros. Os rajados usam chapéu alargado na aba frontal dobrada para cima, bordada e adornada com penas de ema. Os vaqueiros usam calça e camisa de cetim de manga longa, sobra a qual usam um peitoral bordado. Com ritmo. A origem desses grupos, conforme Albernaz , é curiosa e marcada pela casualidade.

Começaram a tocar juntos, fazendo uma nova festa e criando, assim, um novo estilo de brincar Bumba-meu-boi. Os grupos desse sotaque apresentam-se em formato semicircular. É usual os grupos apresentarem-se com dois bois boneco , em suas brincadas. Recentemente, observa-se que os grupos de Orquestra têm sido os mais susceptíveis a mudanças. Paralelo à variedade dos grupos de Bumba-meu-boi, a disputa existente entre os, grupos, sobretudo os da Ilha é fato marcante.

Relatos dos mais antigos revelam que, quando os Bois se encontravam nas ruas as confusões eram freqüentes. É por intermédio da figura do líder que os grupos afrontam toda a boiada. Ali, fofões66 misturam-se com índias e outros brincantes que utilizam muito talco e maisena com os quais promovem a folia momesca.

Os brincantes trajam camisas floridas. Outra característica é a espontaneidade da brincadeira e. O boi fica concentrado em frente ao altar em sua sede localizada, onde o chavelho é enfeitado com bordados de papel dourado.

Os visitantes, os turistas que querem participar da brincadeira, aí fica todo mundo, todas as pessoas que têm os fogos pra cada qual com sua bolsa cheia. Arreiam o boi e ficam tocando fogo até a hora que acaba de queimar todinho mesmo, para ficar só a caveira. Qualquer pessoa pode participar da brincadeira comprando quantas carretilhas quiser.

Mas nem sempre o boi queima por completo. Para Ribamar Vieira, o sentido da brincadeira é provar que o boi vence o fogo. Quando a queima termina, sempre às 3 horas da madrugada, geralmente o boi sai com a carcaça inteira. Agora quando queima que fica só os paus aí o fogo ganhou o boi, assim é que é.

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Originalmente, em vez das carretilhas para botar fogo, eram usados os famosos busca-pés, bem mais perigosos. Cortava perna, cortava pé, cortava braço, dedo, tudo. E hoje as mulheres botam fogo e também acompanham batendo matraca.

A partir desse marco inicial, o cotidiano dos brincantes do Bumba-meu-boi é envolvido pela atmosfera da brincadeira. Sua época de maior efervescência ocorre no mês de junho, quando os Bumbas saem para se apresentarem fora de seu terreiro.

Treinos Gosto mais de fazer os treinos, as reuniões, as palestras. O treino é quando todos nós sentamos para conversar sobre o auto. As pessoas cantam as toadas. Um amo canta, nós aprendemos a toada, pegamos um zabumba e um pandeiro só para ouvir o som e levar ao conhecimento da turma as toadas.

A data é determinada pelo equinócio da primavera, no Hemisfério Norte e do outono, no Hemisfério Sul , que ocorre no dia 21 de março, sendo fixada no domingo que segue a primeira lua cheia após o equinócio da primavera.

A fase inicial do ciclo, na qual se incluem os treinos, é destinada aos ajustes internos do grupo. Depois que eu fui, a gente foi pra Pindoba, a gente viu uma comunidade muito unida. Aí agora agente vai todo ano aqui.

Nas cidades do interior do Estado podem acontecer na sede dos grupos, muitas vezes, barracões, quintais de casas ou em ruas de bairros. O cantador cabeceira, mandante repete sozinho, quantas vezes for preciso, até boa parte dos brincantes aprenderem o coro com êxito. Quando o grupo realiza as matanças, as estórias também podem ser ensaiadas nesses encontros específicos ou mantidas em segredo até o batismo. Ensaio redondo Porque ele brinca do lado de fora, na minha porta, O ultimo ensaio é doze, dia dos namorados, é o redondo.

Anchieta, apud Matos, Outros grupos encerram sua temporada de ensaios antes dessa data, conforme as conveniências do grupo.

Quando saímos para brincar e estamos brincando, eu considero uma das horas mais felizes da minha vida. Pode acontecer em barracões sedes dos grupos - em volta de uma mesa onde é improvisado um altar ou em frente a um altar -, em igrejas católicas um costume mais recente ou em casas de culto afro-brasileiro.

O altar é ornado com esmero para agradar a comunidade que comparece para apreciar o ritual e, principalmente, os santos padroeiros. Em geral, o ritual do batismo é realizado por rezadeiras que cantam ladainhas em latim conservado e apropriado pelo povo com uma linguagem própria.

Após a reza, a madrinha, seguida pelo padrinho, orientados pelo dono do Boi, que conduz a cerimônia, seguram no chifre do boi e abençoam o novilho. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, amém. A partir daí é firmando o batuque dentro do espaço ritual, podendo o grupo permanecer brincando em sua sede ou sair para cumprir compromissos agendados para a temporada.

Os nomes fazem referência aos santos padroeiros e ao universo místico-religioso da brincadeira. A escolha da madrinha e do padrinho do Boi é de responsabilidade do dono do grupo. Vale ressaltar que, para os devotos e. Em nome do pai, do filho do Espírito Santo Amém.

As brincadas e apresentações constituem a fase em que o Boi atua fora do seu terreiro. De acordo com Apolônio Melônio , começam sempre da direita para a esquerda. Entretanto, atualmente, como parte de projetos de entidades privadas, a temporada de apresentações e brincadas tem sido antecipada para o mês de maio e prorroga até o mês de julho.

Esses espaços contam com barraquinhas para venda de bebidas e comidas típicas. É comum convidarem a assistência para dançar, exaltando a presença dos visitantes.

Ainda assim o grupo deve manter a vitalidade característica da festa. É também o momento de agradecer aos santos protetores da brincadeira pelo sucesso da temporada e retribuir aos brincantes, com bebidas, comidas e festa, sua lealdade e fidelidade ao Boi. É certo que o período de morte de Bois deve ocorrer entre os meses de julho, a partir do dia 26 - consagrado a Senhora Santana - e novembro excepcionalmente, dezembro O ritual da morte do Boi também é um espaço para encenações políticas, posto que, quanto maiores forem as comemorações, maior é o prestígio e o lugar do Boi na cidade e entre os demais.

Os modelos e estilos de mourões variam de um grupo para outro por refletirem. As prendas podem ser balões, pequenas frutas, brinquedos, doces, balas, bombons e pastilhas, entre outros elementos. A festa de morte do Boi dura de dois a sete dias. O grupo percorre as casas da comunidade à procura do animal. Meu Deus! Finalmente o boi é sangrado pelo vaqueiro ou Pai Francisco. Nesse momento, um movimento feito pelo miolo faz com que o boi estremeça, dando maior realidade ao ato.

O amo canta a toada da morte do boi:. Mas nem sempre a carcaça do boi é quebrada. Nesses casos, os pedaços podem ser representados por folhagens secas ou outros materiais, conforme a criatividade do grupo, que representam a carne. A venda é simbólica, feita pelo magarefe, ou Pai Francisco, representado por um vaqueiro ou cazumba.

Na morte do Boi de Surrupirinha, do Terreiro Fé em Deus, de Elzita Coelho , o Pai Francisco iniciou o ritual cortando a barra do boi, depois descosturou o couro, cortou a carcaça ao meio, tirou a capa e dividiu as partes depois de serem pesadas em uma balança.

O Chico tu matou o boi Quem mandou você matar? Quando a morte do Boi é boa, é sinal de que no próximo ano o Boi vai ser melhor. A chegada dos Bois pode durar até a tarde desse dia. A saída dos grupos nunca é pela mesma porta de entrada. Parece que estamos fazendo um desfile Esse laço era fortalecido pelos donativos que os feirantes davam para os Bois.

Representava-o passando na feira, cantando. A Maioba começou e os outros foram naquilo, foram fazendo. Além disso, os vendedores ambulantes chegam com antecedência de um ou. Os próprios grupos se organizam para levar lanche e bebida para os brincantes. O desfile acontece em forma de um lento cortejo que se prolonga por toda a avenida. No campo das disputas simbólicas travadas entre brincantes e os. Santos, Geralmente abordam temas da vida cotidiana de seus brincantes ou fazem referência aos fatos mais marcantes do ano em que é apresentado, podendo também originar-se de sonhos ou estórias inventadas.

O momento para acontecer é após o guarnecer da turma Vasconcelos, A teatralidade cômica é entremeada por toadas curtas. Embora menos freqüente, é possível ver bois com couros malhados, principalmente nos ensaios. A cabeça é esculpida em um bloco igualmente leve, porém maciço, recebendo como acabamento um par de chifres naturais polidos e enfeitados com ponteira de metal brilhoso ou fitas de cetim coloridas.

O miolo é o brincante que se mete dentro do boi e o faz bailar. Ali o sócio é o parceiro do amo, que pode ajudar ou. Nas brincadeiras, fogem da chifrada do animal e laçam-no na festa de morte. O corpo do brincante é coberto com perneira, joelheira, bracelete, saia, peitoral um cocar de mais de um diâmetro, repleto de penas. Recentemente alguns grupos de Bumba-meu-boi de Orquestra introduziram índios no rol de seus personagens, a partir da releitura que o Bumba-meu-boi de Morros fez do auto do Bumba-meu-boi.

Atualmente os trajes vêm sendo substituídos por vestes mais estilizadas, com uso de muito brilho.

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Originalmente, os homens, vestidos de mulher, incorporavam o personagem, tornando ainda mais cômica a performance. Recentemente é possível encontrar muitas Catirinas mulheres. Também conhecido como Nego Chico, é tido como o escravo da fazenda.

Traja, geralmente, calça e paletó velhos e mal arrumados. Porta uma espingarda. Andam sempre em bandos, carregam um chocalho, usam batas que cobrem o corpo todo. A bata é colorida. Expressam a imagem de um ser animalesco,. Nos Bois do sotaque da Ilha aparecem a panducha, a manguda e a caipora.

No Bumba-meu-boi encontram-se instrumentos membranofônicos, idiofônicos, aerofônicos e cordofônicos.

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Pode ser produzido em madeira e couro de animal, afinado a fogo, ou em alumínio e pele de nylon. Instrumentos de formato circular, com 30 a 35 centímetros de diâmetro por 10 a 12 centímetros de altura, em geral. Instrumento musical industrializado de formato circular, com uma das extremidades recoberta com material sintético. Apresenta soalhas encaixadas no aro, que possui cerca de 30 centímetros de diâmetro. Usado no Boi Estrela do Mar, do município de Caxias.

A membrana é afixada por pregos ou tachinhas. É percutido com duas baquetas, podendo ser pendurado no pescoço do tocador ou, ainda, ser tocado com o instrumentista sentado sobre um de seus lados.

Tem aproximadamente 8 a 10 centímetros de altura em cada um de seus lados, quando quadrado; e 35 por 40 centímetros quando retangular. Compõe a base rítmica dos grupos do sotaque de zabumba. Pode ser afinado por arrocho, com cordas inseridas em orifícios feitos em arcos de madeira de aproximadamente 8 centímetros de altura colocados em volta do corpo cilíndrico do instrumento, ou por tarrachas. É percutida com baquetas de aproximadamente 30 centímetros, feitas com madeiras rijas de formato cilíndrico.

Também conhecidos como bumbos ou. Tocado com baqueta, é encontrado nos grupos de Bumba-meu-boi dos municípios de Aldeias Altas, Caxias e Timon. O boi de So Joo. Contudo, , tambm, oferecido para Xang, orix Nag que equivale a Bad Quevioss, vodum que abre todos os terreiros de Tambor de Mina no Maranho, cuja festa de obrigao, na Casa das Minas Jeje, realizada no dia de So Pedro, santo de adorao daquele vodum.

Ferretti, Talvez esse dado explique o transe dos brincantes de Bumba-meu-boi em frente ao andor do santo, no dia 29 de junho. Fundado no trip arte-festa-religio, o Bumba-meu-boi, pelo seu carter plural, , paradoxalmente, a sntese de elementos da identidade maranhense, de seu ethos, de sua viso de mundo.

Todo esse conjunto resulta num produto que revela a alma desse povo. O sentido da obrigao para com as entidades espirituais do Tambor de Mina vivenciado com respeito e a f e a devoo a So Joo, santo a quem dedicada a brincadeira, professada de forma descontrada, numa alegre associao de festa e religio.

O Bumba-meu-boi se faz presente no meio social maranhense como um componente estrutural de coeso, reafirmando constantemente os elementos da identidade cultural desse povo. Laos de solidariedade so estabelecidos entre aqueles que fazem o Bumba-meu-boi acontecer: pela f nos santos juninos; pelo compartilhamento de um mesmo espao sociocultural; pelo tempo que ficam juntos e pela cumplicidade no desempenho das tarefas de preparao do boi; pela dedicao ao grupo; e pelo compromisso assumido na produo da brincadeira, criando um sentimento de pertena intragrupal.

Internamente, grande nmero de pessoas est envolvido na produo do Bumba-meu-boi, da realizao dos treinos que precedem os primeiros ensaios e confeco e reparos de indumentrias e instrumentos, at a morte do boi.

Em contrapartida, aqueles que no participam diretamente da brincadeira tambm experimentam um pertencimento aos grupos por um sentimento coletivo de ligao com os estilos de Bumba-meu-boi e, dentro destes, com grupos especficos, como se pertencessem a um mesmo cl. Dessa forma, externamente, os batalhes so reforados pelo apoio dos simpatizantes, que assumem.

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Nesse aspecto, os bois do sotaque da Ilha se destacam pelo antagonismo entre os batalhes, evidenciado pelos seus brincantes e simpatizantes, cuja devoo quase religiosa ao grupo de predileo se reflete no nmero de boieiros, sempre varivel, que cada boi de matraca pode levar para os arraiais e demais locais onde brinca.

Assim, o nmero de matraqueiros de um Boi da Ilha ser sempre proporcional ao nmero de simpatizantes com ou sem ligao formal com o grupo, motivados pela identidade que cria vnculos recprocos estabelecidos com o Bumba. Deve-se ressaltar que a brincadeira registra, desde o Sculo XIX, manifestaes de violncia que, freqentemente, resultavam em contendas generalizadas. Atualmente, percebe-se uma agressividade latente externada nos versos das chamadas toadas de pique, tpicas dos Bois de matraca, trocadas por brincantes de grupos rivais, nas quais so transmitidas mensagens subliminares ou explcitas de provocao e desafio num campo em que a arena de luta simblica entre os contrrios21 a msica e a literatura e as armas so o poder criativo e a capacidade de formular belas toadas, como uma forma de extravasar mpetos violentos, ainda que sublimados.

Pelo conflito, os grupos fortalecem o seu esprito de corpo e reforam sua identidade. A identidade entre os que fazem o Bumba-meu-boi e aqueles que se sentem parte dele, ainda que na condio de meros espectadores, cria um universo singular no qual o Bumba se configura como uma manifestao cultural popular de uma fora expressiva presente no s no cotidiano de quem vive no Maranho, mas que ultrapassa os limites do Estado, inspirando a criao de grupos por maranhenses radicados em So Paulo, Rio de Janeiro e Braslia, que reinventaram o Bumba-meu-boi a partir das referncias culturais levadas de sua terra natal.

Atravs da brincadeira, os grupos criam laos de solidariedade numa terra estranha e revivem, a cada brincada, sua cultura, sntese de sua viso de mundo, expressa numa mistura de lazer, compromisso, festas, ritos, performances, crenas e devoo.

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Essa integrao de dentro do grupo e deste para fora de si , muitas vezes, explicitada pelos prprios grupos, reforando interna e externamente os vnculos do Boi com os micro e macro universos que lhes do sustentao. Integrados nesse patrimnio cultural que o Bumba-meu-boi, diversos componentes colocam em evidncia a cultura popular maranhense no que se refere religiosidade popular catlica; religiosidade afro-maranhense; dana, com os passos cadenciados e ritmados dos brincantes; ao teatro popular, com os autos e comdias; inventividade dos brincantes, com os grupos que promovem uma releitura do Bumba-meu-boi tradicional; e msica, na voz melodiosa dos amos ou cantadores e no dom dos compositores populares, cujo talento se traduz em belas toadas.

O decreto 3. O Bumba-meu-boi do Maranho tem demonstrado, ao longo de dois sculos, sua capacidade para permanecer vivo, atravs de um processo contnuo de reelaborao, cuja matria-prima tem sido um saber prprio, alicerado num conjunto de elementos que envolve um sistema de crenas, onde se associam mitos, lendas, universo mstico-religioso catlico e onrico e religiosidade afromaranhense. Assim, o Bumba-meu-boi, identificado pelos maranhenses como a mais rica manifestao da cultura popular do Estado, apresenta uma diversidade que rene vrias formas de expresso artstica e se mostra como um bem cultural portador de um conhecimento tradicional constantemente reelaborado que reflete, em suas mais variadas formas de acontecer, no s a alma dos maranhenses, mas tambm dos brasileiros, pela alegria e devoo com que vivenciado durante todo o ciclo da brincadeira.

De manifestao cultural de negros e mulatos oprimidos pelas elites do sculo XIX a manifestao emblemtica da cultura popular maranhense, o Bumba-meu-boi traz em seu percurso o retrato da histria social, poltica e econmica brasileira. Foi marcado pelo preconceito dos anos oitocentos, que restringia o espao onde poderia brincar; pela obrigao de pedir licena polcia para sair s ruas at os anos 60; e pela mudana de papel consolidada na dcada de 80, quando comea a se inserir num mercado de bens culturais que tenta transformar o Bumba em mercadoria para ser consumida, preferencialmente, por turistas, o que j motivou crtica do Bumba-meu-boi a ele prprio conforme toada abaixo.

A crtica do amo do Boi Unidos Venceremos insero do Bumba no mercado de bens culturais deixa explcito que a afirmao identitria atravs da identificao com a brincadeira do Bumbameu-boi marcada por contestaes simblicas, de modo que essa incluso no deve ser vista como absoluta, no sentido de uma aderncia.

Mesmo sem questionamento formal do ponto de vista poltico, h resistncia aos elementos tpicos do mercado que opem tradio a dinheiro. O Brasil um pas multicultural caracterizado por um conjunto de identidades resultantes de sua formao scio-cultural e o Bumba-meu-boi maranhense, pelo seu carter plural, um retrato da identidade brasileira.

A riqueza e a dimenso dessa manifestao evidenciadora da forma de ver e viver a cultura popular pelos maranhenses avaliza a valorizao do que pode ser considerado o Complexo Cultural Bumba-meu-boi do Maranho, cujo valor simblico reside no seu conjunto: dana, msica, poesia, teatro, cenrios, instrumentos, indumentria e papis a serem desempenhados, atravs de um processo de trocas interculturais de traos de origens africana e indgena com elementos trazidos pelos europeus, sem desconsiderar a influncia de outros povos.

No caso do Bumba-meu-boi, a nfase recai no poder de mobilizao social dessa brincadeira que, ao reforar laos de solidariedade entre os seus representantes, refora, tambm, uma visibilidade pblica desses brincantes e, conseqentemente, sua identidade, seu modo diferente de ser e crer.

Considerando que o valor simblico de um bem cultural construdo socialmente, justificase o reconhecimento do Bumba-meu-boi como Patrimnio Cultural do Brasil, cuja multiplicidade de significados, expressa em seus mais diversos aspectos e variaes, merece ser compartilhada pela sociedade brasileira.

As notcias mais antigas sobre o Bumba-meu-boi do Maranho encontradas em documentos histricos e peridicos nos levam a uma viagem ao Sculo XIX.

Uma anlise desses escritos revela um contexto sociocultural permeado de preconceito e interdies s manifestaes culturais populares. No caso especfico do Bumba-meu-boi, as notcias publicadas em jornais invariavelmente se referem brincadeira como dana de negros e, no raro, so utilizados termos que sugerem serem os brincantes promotores de brigas e confuses.

Nas pesquisas realizadas sobre essa expresso cultural maranhense recorrente a afirmao de ser do ano de a primeira referncia local ao Bumba, publicada em nota do jornal O Imparcial, de circulao em So Lus. Entretanto, o historiador Matthias Rhrig Assuno faz aluso a uma referncia de publicada no romance histrico A Setembrada, do escritor maranhense Clvis Dunshee de Abranches. Segundo Assuno, o romancista destaca que os ataques populares contra os portugueses e seus estabelecimentos comerciais durante a guerra de Independncia podiam, inclusive, tomar a forma de um violento bumba-meu-boi Assuno, Ao revelar a forma como o Bumba-meu-boi se manifestava naquela ocasio, danando e cantando versos ofensivos aos portugueses numa conjuntura de confronto entre brasileiros e lusitanos, a obra reafirma uma caracterstica j presente na brincadeira no Sculo XIX: a capacidade do Bumba-meu-boi em se apropriar de fatos atuais como temas geradores de elementos para alimentar a brincadeira, inserindo-se no contexto de sua poca.

O Governo prohibira os fgos e destacra foras para que os bandos tradicionaes do Bumba-meu-boi no passassem do areal do Joo Paulo. Apezar dessas ordens rigorosas, na noite de 23 de Junho [de], armados de perigosos busca-ps de folhas de Flandres e de carretilhas esfusiantes, grupos de rapazes, inimigos ferozes dos puas, affrontaram a soldadesca at o Largo do Carmo, onde danaram e cantaram versalhadas insultuosas contra os portuguezes, atravez de um verdadeiro combate de pedras, pranchadas e tiros de toda a especie.

A casa de Francisco Coelho de Rezende, recm-construda, ficou muito damnificada e com as portas arrombadas, sendo atiradas rua numerosa e finas mercadorias. Abranches apud Assuno, Mas se a referncia literria pode lanar dvida acerca da veracidade dos dados pela liberdade que o romancista experimenta, peculiar do processo criativo, a segunda referncia merece maior credibilidade por estar fundamentada em episdios do cotidiano relatados em publicao jornalstica.

Vale ressaltar que a imprensa maranhense s foi inaugurada em , com a criao do primeiro jornal da provncia - Conciliador do Maranho, como informa Frias , o que justifica, portanto, a ausncia de notcias sobre o Bumba-meu-boi anteriores aos anos 20 do sculo XIX. Tambm merece destaque o trecho publicado pelo cronista Joo Domingos Pereira do Sacramento, no Semanrio Maranhense, em , no qual afirma a existncia do Bumba-meu-boi h, pelo menos, duas geraes anteriores sua Que importa que nas melhores horas do somno [sic] e do socego [sic] as paredes dos aposentos estrondeassem com os gritos do boi, se todos ns tivemos a incommensuravel [sic] fortuna de ver renascido o folguedo com que tanto se divertiram nossos pais e nossos avs?

Maria Laura Cavalcanti assinala ser o registro mais antigo encontrado em sua pesquisa uma carta endereada ao jornal Farol Maranhense, divulgada na edio de 7 de julho de , na qual feita uma pequena descrio do folguedo permeada pela indignao do leitor com o Bumba-meu-boi.

A mesma carta citada por Assuno, que endossa ser essa a referncia mais antiga, em comparao s costumeiramente citadas pelos estudiosos do Bumba-meu-boi maranhense, e salienta tanto o carter marcial quanto o carter festivo e alegre da brincadeira.

Redactor - Moro no Bacanga e poucas vezes venho cidade.

Complexo Cultural do Bumba-meu-boi do Maranhão

Mas tenho um compadre que me fica visinho, que no passa festa que no venha assistir a ella. Pela de S. Joo veio elle, s para ver as correrias do Bumba-meu-boi, e na volta contou-me as seguintes novidades que por duvidar um pouco dllas, tencionei contar-lhas para me fazer o favor de dizer si so ou no verdadeiras.

Disse-me o tal meu compadre, que na noite de So Joo houve muitos fogos: que andavo malocas de 40 e 50 pessoas pelas ruas armados de buscaps, todos mui alegres que a Polcia no prendeo a ninguem por quanto nenhuma desordem acontecera. Ora Sr. Farol Maranhense apud Cavalcanti, Do perodo compreendido entre a , no foram encontradas referncias em jornais, mas, em pesquisa no exaustiva realizada em documentos do acervo do Arquivo Pblico do Estado do Maranho, foram localizadas ocorrncias policiais concernentes ao Bumba-meu-boi, sendo uma datada de 28 de junho de , portanto, o documento mais antigo sobre a brincadeira, relatando a priso de um soldado acusado de agresso a brincantes do Bumba.

Maranho Q tel do Com. Alm de ser o registro escrito mais antigo sobre o Bumba-meu-boi maranhense, a ocorrncia policial lana outro olhar sobre os atos da polcia da poca. Apoiado em Assuno a, p. Aps a proclamao da Independncia do Brasil, em , iniciaram-se as proibies dos batuques no permetro urbano das cidades aps o toque de recolher. Barros, A ocorrncia policial mostra que a mesma polcia que reprimia a manifestao do Bumba assegura o direito dos brincantes.

Mas o procedimento policial, ao punir o agente que tentou impedir os rapazes de brincarem o Bumba, no isenta a instituio de seu papel repressor, pois, a garantia para brincar e a proteo dada aos brincantes legitima e refora o poder coercitivo do aparato policial. Em , uma segunda ocorrncia policial encontrada, tambm, no Arquivo Pblico do Estado do Maranho, expe o outro lado da ao policial e mostra os agentes da ordem cumprindo o papel a eles designado pela sociedade maranhense da poca.

Uma patrulha prendera um negro acusado de dar motivo para motins pela rua. A fluidez da acusao, nesse caso, comprova o preconceito da polcia com quem participava do Bumba-meu-boi:. A stima patrulha composta dos guardas nacionais do segundo batalho prendeu s seis horas da tarde na rua de Santana o preto Fernando, escravo de Jos Maria Barreto por andar com uma armao coberta vulgarmente conhecida por bumba-meu-boi, dando assim motivo a que se reunissem grupos de pretos fazendo motim pela rua.

Documento do Corpo de Polcia - Partes do Dia - em 11 de maro de Do ano de tm-se, curiosamente, pr e contra, dois registros publicados em jornais sobre o Bumba-meu-boi. O primeiro, do jornal O Imparcial de 15 de junho, uma carta de um leitor que assina com o codinome Um Amigo da Civilizao, em que o Bumba rechaado e a polcia criticada pela concesso da licena para a brincadeira: Quando uma grande parte da populao se empenha por fazer desaparecer os busca-ps, por serem fatais, concede-se licena para estpido e imoral folguedo de escravos denominado bumba-meu-boi, incentivo para os busca-ps, e admira-se mais que isto acontea, quando h anos a presidncia ordenou polcia que no consentisse esse folguedo, por ser oposto boa ordem, civilizao e moral.

Quando por causa do bumba-meu-boi no aparecem cacetadas e mesmo facadas, causa de uma enorme algazarra que prejudica o silencia perturbando o sossego que deve haver para o sono, sossego que cumpre polcia manter.

Ns esperamos que a polcia reconsidere no passo irrefletido que cometeu, para no ser ela responsvel perante a opinio pblica, do mal que houver por causa do bumba-meu-boi. Prado, Na carta do amigo da civilizao e inimigo do Bumba-meu-boi so reiteradas as informaes fornecidas pelos registros anteriores: folguedo de escravos, ocorrncia de brigas, utilizao de busca-ps e obrigatoriedade de anuncia da polcia para que o Bumba sasse na rua.

O segundo texto, uma crnica do jornal A Verdadeira Marmota, na qual o autor, que se assina Os Ss, demonstra uma paixo pelo brinquedo de negros e refora ser o Bumba-meu-boi uma brincadeira de escravos. Nele, o amante do Bumba advoga em defesa do admirvel brinquedo que ns no podemos banir e fornece muitos dados acerca do Bumba-meu-boi, citando os personagens Catharina, vaqueiros, padre, o Doutor Pisamacio, Pai Francisco e o Caboclo Real, dos quais apenas o padre e o doutor desapareceram da brincadeira nos dias atuais.

Eis o bumba! Vede-o escavando o cho ao som da ria - Eh bumba: vede-o requebrando-se ante os olhares requebrados da pudibenda Catharina, que ouve as finezas dos vaqueiros que entoo o hymno - Catita!

Vede-o ajoelhado ante o padre que ouve a confisso, e o prepara para bem morrer! Vede-o ante o Dr. Pisamacio que com o Pai Francisco e o Caboclo Real disputam a glria de possuir este a lingon e aquelle os mocots pertencentes ao boi do vaqueiro real! Admirvel brinquedo, luzida civilizao esta nossa!

Vede os personagens do bumba, escravos arredados dos servios seos Senhores, perturbadores da tranqilidade pblica s dez horas! Grande o santo progresso! Os antigos gregos acabaro com as suas saturnaes; os romanos com as festas a Bacho; os passados Francos com as procisses dos ms; e com a festa dos jumentos, mas ns no podemos banir o bumba.

Reis, O artigo digno de cuidadosa ateno pela riqueza das informaes nele contidas. Antes que os estudiosos do folclore se ocupassem em assegurar que o Bumba-meu-boi veio da frica, o cronista j chegara a essa concluso, explicitada nesse artigo de - A frica civilizou o Brasil disse h tempos o venerando Bernardo de Vasconcelos; no sei at que ponto isto verdade; sei que esta civilizao de bumbas e mais trapalhadas veio-nos da frica, e que aqui estabeleceo-se [sic] at officialmente [sic]!

Referindo-se ao Bumba-meu-boi como inocente divertimento de escravos, o autor informa que era praticado noite at de madrugada, ao som de palmas ou palmadas Em seguida, narra a encenao com todos os elementos do que se conhece como o auto do Bumba-meu-boi: roteiro, personagens e as cenas clssicas da morte e ressurreio do boi, alm da confisso do caboclo real antes da diligncia para prender o Pai Francisco.

Existia um valento vaqueiro, no sei de que nao, mas devia ser de Guin, que tinha um boi, que era conhecido pelo Boi Estrela: e havendo outro vaqueiro de nome Pai Francisco, que casado com me Catharina, que achando-se no estado interessante desejou comer a lngua do boi Estrela, e o Pai Francisco no querendo ver sua cara-metade ter um transtorno no estado em que se achava, sem mais cerimnias corta a lngua desejada; dessa operao o boi morreu.

O dono do boi deu o grito de alarme e tratou de descobrir quem tinha matado o seu querido Estrela! E chamado o lecenceado [sic] e este requer junta, para a qual foi ouvido o Dr. Pisamacio, que examinando perfeitamente o boi reconhecero [sic] que tinha sido morto por Pai Francisco!

Reconhecido Pai Francisco como assassino, chamado o caboclo-real pra hir [sic] prender, como se fosse autoridade policial, e o caboclo antes de hir [sic] correr o risco de morrer na luta, que temia ter para prender ao Pai Francisco, confessou-se e partiu cantando terna e docemente esta sublime poesia: Cantando e chorando Atrs do curr Caando Pai Francisco No pode o ach [sic] Desgraadamente descobre ao vaqueiro esposo de me Catharina e dirige-se a ele com a fria de um leo: - Pai Francisco pleto vio, baba de bassoura, batiga de matta veia, meu amo te manda te dizer de tres [sic] cousa [sic] uma, ou corpo, ou cabea ou a vida.

Resiste, dando berros ao caboclo, mas afinal pobre do tio Chico preso e o caboclo, orgulhoso por ter prendido to valente contendor, canta: Eu sou caboclo re Caboclo de Canind Tenho arco, tenho frecha Tenho candeia no p E o povo, comparsas, cotistas e figurantes respondem: Ch, ch, ch. Geremano Ch, ch, ch. Geremano Trazido barra do tribunal, o assassino do boi Estrela tornou-se ru confesso, declarando que tinha morto o boi Estrela por causa da me Catharina.

A pobre da mulher ali vem presa tambm e trmula canta e chora at na presena dos juzes. Perguntando-se ao pai o que tinha me Catharina, para matar o boi Depois o pobre vaqueiro acoitado, pulando por cima do boi at que o castigo pra e o Pai Francisco obriga-se a curar o boi!

A receita foi menor que homeopathica [sic]; o boi no bebeu mezinha alguma e s com tres [sic] assopros Batem palmas todos e canto [sic]: J hurrh, j hurr J huhrr fama ria Boi de fama como este No serto no haver Tareques tir. Essa referncia pode indicar que no eram utilizados instrumentos musicais, com o ritmo marcado pela batida com as mos, ou pode informar que j naquela poca eram utilizados instrumentos denominados palmas, que fazem o acompanhamento musical em grupos de Bumba-meu-boi da regio do Baixo Parnaba.

Acredita-se que a primeira hiptese seja a mais provvel com base na citao do cronista Domingos Sacramento, de , que, estranhando a introduo de matracas no Bumba, sugere que at aquele ano no havia acompanhamento de instrumentos na brincadeira. O mundica canrio Ora tanques tir Despedem-se da casa que paga para ver danar tal tal babuzeira e eil-os procurado outro cenrio, e vo cantando: Adeus vou me embora Vou pro serto E na copa do meu chapu chuvia [sic] Quando vinha da cidade chuvia [sic] Chuvia [sic] busca-ps Cachorrinho quando late No buraco do tatu Nosso r, nosso r, nosso r baxad Viva a mulata que tem seu Arno Reis, Dentre as informaes fornecidas pela crnica, o pagamento pela apresentao do Bumbameu-boi denuncia certa ambivalncia no seio da sociedade maranhense do Sculo XIX.

Observa-se que, embora o Bumba estivesse inserido num contexto de preconceito e discriminao, em algum nvel havia valorizao da brincadeira por determinado segmento social. As referncias publicadas em demarcam o incio de um perodo de sete anos sem notcias da brincadeira. Nesse intervalo, entrou em vigor o Cdigo de Posturas de So Lus, pela Lei Provincial de 4 de julho de , que, em seu artigo , proibia a realizao de batuques fora dos lugares permitidos pelas autoridades competentes.

O mesmo artigo estabelecia que os infratores estavam sujeitos ao pagamento de multa ou priso por um perodo de seis dias. Pesquisadores do Bumba-meu-boi tm justificado esse silncio como resultado de um longo perodo em que o Bumba fora proibido de sair nas ruas.

Essa suposio encontra eco em afirmaes localizadas nos registros de do jornal O Imparcial e de , publicado no jornal Semanrio Maranhense e corroborada pelo dispositivo legal de , pelo menos nos dois anos que antecedem a volta do folguedo.

Na carta enviada a O Imparcial, o amigo da civilizao refere-se a uma antiga determinao da presidncia [da provncia] polcia para que no permitisse o Bumba-meu-boi por ser oposto boa ordem, civilizao e moral e que no estaria sendo cumprida.

Na crnica de Joo Domingos Pereira do Sacramento, publicada em 5 de julho de , no Semanrio Maranhense, o autor d pistas sobre o motivo do desaparecimento do Bumba-meu-boi por extenso perodo ao se referir ao renascimento do folguedo e saudar a polcia pela iniciativa que. Nesta ltima quinzena, que contada de 12 de junho at o dia do corrente mez [sic], o chronista [sic] tomou nota de uma sbia resoluo que parecia j prescrita pelos nossos costumes, para o fim de louvar ambas a cousas [sic].

Pelo ato da polcia e viva o Bumba! Semanrio Maranhense, Domingos Sacramento ironiza os espritos civilizados que temem o renascimento dos antigos costumes e, lamentando os sete anos em que esteve privado de ver o Bumba-meu-boi na rua, atribui a este hiato o atraso observado na brincadeira, elucidando que a ausncia do Bumba no fora apenas dos registros na imprensa, mas, efetivamente, das ruas da cidade.

No discurso do cronista, verifica-se que no Sculo XIX a discusso sobre a manuteno do tradicional no Bumba-meu-boi j estava presente.

Joo Sacramento admite seu apego aos antigos costumes como salvo-conduto para criticar o progresso no Bumba com as novidades introduzidas naquele ano.

Dossie Bumba meu Boi by tt catalao - Issuu

Effectivamente [sic] as legendarias figuras do bumba deste anno [sic] no deram especimens daquelle [sic] antigo sainete do boi dos tempos em que eu e vs, leitores moos, ramos ainda crianas. S na extravagancia [sic] do vesturio eram exactas [sic] e parecidas s de outrora [sic]; as mesmas casacas velhas com enfeites de pedaos de papel, com excepo [sic], porm, do caboclo guerreiro, que com certeza no tinha o brilho das pennas [sic], o garboso cocar, o leve e ligeiro do enduape do caboclo antigo, que era em tudo semelhante aos heroes [sic] indigenas [sic] do nosso poeta Gonalves Dias.

Semanrio Maranhense, Dentre as mudanas citadas, a introduo, naquele ano, de um repinicado de matracas, acompanhando gritos de uma multido que seguia a brincadeira, aponta para a evoluo do folguedo, em , para o que hoje se conhece como os Bois da Ilha, com uma configurao mais aproximada desse estilo caracterstico da Ilha de So Lus.

Essa passagem denuncia, ainda, a grande preferncia popular pelo folguedo. Personagens mencionados pelo cronista de A Verdadeira Marmota, em , foram preservados: Dr. Sacramento segue enumerando as transformaes no Bumba, segundo ele, para pior. Em tom saudosista lamenta o progresso da imaginao popular, com os cantos novos sem graa, nem beleza alguma.

Tambm informa sobre alterao no calendrio do ciclo do Bumba-meu-boi, revelando que antes o sepultamento do boi se dava no dia de So Maral - 30 de junho. Naquele ano, para descontentamento do cronista, na madrugada do dia 1 de julho o boi tinha vida e berrava estrondosamente. Semanrio Maranhense, O procedimento legal do pedido de licena polcia para sair s ruas e a preferncia popular pelo Bumba so citados por Sacramento ao se referir aos excessos praticados pela multido que acompanhava a brincadeira berrando fortemente.

A represso que caracterizou a conturbada relao da sociedade maranhense com o Bumba-meu-boi no Sculo XIX ainda se estenderia at o sculo seguinte. Entre os anos de e os responsveis pelos Bumbas deveriam solicitar, por requerimento, autorizao policial para ensaiar a brincadeira e sair nos dias dos festejos juninos.

A licena, entretanto, s era fornecida para locais situados fora do permetro urbano, os chamados arrabaldes, cujos limites foram estabelecidos, no sculo XX, para alm da estao de bondes do bairro do Joo Paulo. Ribeiro apud Assuno, Em , o peridico A Flecha, que circulava em So Lus, faz referncia participao feminina em um Boi que percorreu as ruas da cidade na noite de So Pedro, atraindo mais de mil pessoas, das quais a maioria eram mulheres.

Na mesma edio foram publicados versos atribudos ao Pai Francisco que evidenciam a alegria pela chegada do tempo dos Bumbas, o uso dos buscaps e os prejuzos que. Tambm so reveladores do tom satrico dos Bumbas daquele perodo ao tratarem dos fatos polticos da poca, alm de reafirmarem ser o Bumba-meu-boi um folguedo praticado por negros e eximir a polcia do papel de vilo absoluto, sugerindo que a proibio s brincadeiras de Bumba-meu-boi poderia ser flexibilizada A Flecha, : bumba!

Nosso tempo j voltou, O boi do mestre Alexandre Na cidade j entrou! Nosso tempo j voltou! Guenta p, guenta p Guenta p que l vem buscap! A policia deste anno No to m como se pensa Fechou olhos s posturas bumba!

E aos pretos deu licena! Cho, Cho, Cho, Gerimana!

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Ch, e ch e ch, Gerimana! Deus permita que pro anno O dia da eleio Caia mesmo como este, bumba! To perto de So Joo. Quando eu vinha da cidade Chovia Na copa do meu chapo, chovia! A gente grita na rua At j madrugada Buscap rebenta e deixa, bumba! Muita vidraa quebrada! J urrou! Boi de fama que Chico matou!

Saia de chita se queima Chora creana e mulher Rola o po, mas o governo bumba! Faz eleio como quer!

DA BOI 2011 CD BAIXAR MAIOBA

Em , o escritor maranhense Alusio de Azevedo destinou algumas linhas de sua obra O Mulato para o registro de versos25 do Bumba-meu-boi cantados por um sertanejo26 durante uma festa de So Joo Azevedo, A insero dessa manifestao cultural na obra do fundador do Naturalismo na literatura brasileira sinaliza para a importncia da presena do Bumba no contexto social do final do Sculo XIX.

Um levantamento feito a partir de solicitaes de licena encaminhadas autoridade policial no perodo a , logo aps a abolio da escravatura e a instaurao da repblica no Brasil, 25 Parte desses versos fora publicada em A Flecha, no ano anterior.

Denominao usada pelo autor para referir-se a um repentista. Os requerimentos eram encaminhados, em geral, no ms de maio, pedindo autorizao para ensaiar e sair nos dias de Santo Antonio, So Joo e So Pedro. Todos foram indeferidos, sugerindo que o critrio para a recusa no era apenas a proximidade com a rea mais urbanizada da cidade.

Ao Cidado Dr. Chefe de Polcia Parecer: Indeferido Polcia do Maranho, 14 de maio de Joo da Matta de Azevedo Campos, desejando ensaiar a antiga brincadeira de bumba-meu-boi e, no o podendo fazer sem nossa licena, vem por meio da presente, pedir, que vos digneis conceder-lhe permisso para que possa O Sup. Nestes termos E justia Parecer: Indeferido a bem da ordem e moralidade pblica. A Secretaria de Polcia do Maranho, 17 de maio de Thomas de Aquino Ferreira residente no lugar denominado Maioba nesta ilha, vem respeitosamente requerer a V.

S se digne conceder-lhe permisso, para que o supp. Possa sahir com alguns amigos seus nas noites de S. Joo e S. Desde j promette toda ordem e moralidades. Requerimento de Manoel Sabino Gonalvez ao Chefe de Polcia Parecer: Indeferido 14 de maio de Manoel Sabino Gonalvez, desejando enaiar uma brincadeira denominada Bumba-meu-boi, no Largo do Matadouro deste estado, e sair a rua, pela festividade de S.

Antonio, S. Pedro e no podendo assim fazer sem licena de V S vem umildemente pedir vos que pelo vosso despaixo o coneda a referida licena obrigando-me a manter a ordem e respeito a moral pblica.

Nestes Termos ERM. As interdies da autoridade policial ao livre acesso dos Bumbas a determinados logradouros pblicos se contrapem ao prestgio que a brincadeira gozava na So Lus da ltima dcada do Sculo XIX, comprovado em pequenas notas publicadas na imprensa local da poca convidando os leitores para assistirem s apresentaes da brincadeira, conforme comprova texto do jornal A Pacotilha publicado em Viva o boi da Madre Deus, Respeitado Pblico!

Vinde Domingo s 5 horas da tarde na casa do administrador do Matadouro Pblico, ver o mais popular folguedo do bumba-meu-boi. As notcias tratam de uma viagem realizada por 14 maranhenses para a cidade de Chicago, nos Estados Unidos da Amrica, para. No vapor ingls Maranhense seguiram ontem para Nova York 7 homens e 6 mulheres de cor, acompanhados por um intrprete especial, contratados para, no Parque da Grande Exposio, exibir as danas populares do nosso Estado, conhecidas pelos nomes de Bumba-meu-boi, Tambor e Chorado.

Foi pintado pelo conhecido artista Joo Manoel da Cunha o BOI que h de servir para a dana, e ao qual deu a aparncia de um formidvel garrote taurino. Esse grupo, contratado pelo representante dos empresrios desses e de outros costumes do Sul e do Norte do Brasil, estabeleceu para o pessoal as melhores garantias e toda a segurana, sendo os contratantes aqui visados pela Chefatura de Polcia, com viagem de ida e volta, passagens de 1 classe e todas as despesas de tratamento at o ms de novembro.

Alm dos gneros que o Maranho expe, e que daro perfeita idia de sua indstria, arte e lavoura, vai oferecer, na seo competente, uma interessante diverso que h de atrair a ateno dos nacionais e forasteiros que concorrem a esse grande certame, conhecido no mundo inteiro. Bem felizes so os 14 maranhenses que, com certeza, a no ser a Exposio Columbiana, no teriam ocasio de to agradvel, til e instrutiva viagem. Dirio do Norte apud Mello, A viagem Chicago confirma que havia certa valorizao ou, pelo menos, prestgio da brincadeira por parte de alguns segmentos sociais da poca.

Nos anos que antecedem a virada do sculo, a importncia do folguedo como opo de lazer na cidade atestada pelos freqentes anncios de apresentaes de Bumba-meu-boi em bares e cafs localizados no Anil Em 23 de junho de , na vspera do dia de So Joo, o Garrido, localizado na Jordoa prximo ao Anil , espera a rapaziada de bom tom para assistir este folguedo de tanta ateno, tendo as ordens cerveja fria, vinhos, conhaques. A Pacotilha, n , de 22 de junho de , apud Ferretti, Na mesma edio desse peridico publicado um anncio de Albino Xavier chamando para um Bumba-meu-boi em seu bar, convite reproduzido dois anos mais tarde, tendo o Boi da Maioba como atrao.

Barros, Os escassos dados encontrados sobre a histria do Bumba-meu-boi no Sculo XIX registram perodos de represso e controle da brincadeira por parte das autoridades constitudas da poca, mas revelam, tambm, a aproximao das elites em relao a esse folguedo de negros e mestios que se impunha pela sua fora e resistncia s adversidades que marcaram esse perodo e que garantiram a sua passagem para o Sculo XX.

Sculo XX: de brincadeira de negros a cone da cultura maranhense O Sculo XX foi, para o Bumba-meu-boi do Maranho, um tempo de grandes transformaes, tendo So Lus como o palco dessas mudanas.

A partir do mapeamento dos fatos ocorridos ao longo desse perodo, pode-se dividir a histria do Bumba-meu-boi, ainda que arbitrariamente, em quatro fases: o tempo dos conflitos, de a ; a valorizao do Bumba-meuboi, de a ; a institucionalizao dos grupos, de a ; e a insero do Bumba no mercado de bens culturais, de a No Sculo XIX, logradouro afastado do Centro da cidade onde se concentravam stios e vivendas das elites.

Barros, A fase dos conflitos foi marcada por aspectos trazidos do sculo anterior, com o registro de rivalidades entre as turmas, mas, tambm, trouxe novidades com a chegada dos Bois de municpios do interior do Estado. A represso aos Bumbas, expressa em ocorrncias policiais, e o preconceito das elites, manifestado em textos publicados em jornais, assinalam a conjuntura em que o Bumba-meu-boi estava inserido no alvorecer do sculo passado.

O perodo compreendido de a revela um contexto em que o Bumba-meu-boi ganha projeo no meio sociocultural maranhense, demarcando o incio de um processo de valorizao dos Bois por meio de iniciativas como a realizao dos concursos, a principal marca dessa poca.

Tambm foi um perodo em que a presena dos Bois, provenientes de outros municpios maranhenses j estabelecidos em So Lus, se solidificou e foram criadas outras turmas, inspiradas naquelas. Foi a poca em que o Bumba foi apresentado em espaos a que s a cultura das elites tinha acesso. No terceiro marco temporal, de a , as aes do poder pblico para o turismo se voltaram para o Bumba-meu-boi como o representante, por excelncia, da cultura popular do Maranho.

Luciana Garcia as toadas, os instrumentos, o guarnecer. Dona da própria técnica, o critério que Graça utiliza para desenvolver seu canto é: E assim ela cantou por muito tempo. Hoje somos, apesar de lusos e dos seus colonizadores, mas também graças ao que eles aqui nos juntaram, tanto os tijolos biorraciais como as argamassas socioculturais com que o Brasil maoba se fazendo.

A proposta era de formar um grupo permanente de estudos de xo populares brasileiras. Nos indicou também algumas pessoas e livros que poderiam nos auxiliar em nosso trabalho.

O Renascer é uma festa pra quem gosta de brincar o boi. Unifica esses elementos como uma grande colcha de retalhos, que veio sendo confeccionada através dos anos. Entretanto é preciso cuidar desse patrimônio da humanidade. No vai e vem dos jovens um deles sempre parava e a acompanhava. Logo depois do descanso o Grupo subiu para esquentar os tambores e brincar o Tambor de Criola até o dia amanhecer.

Durante a dança se revezavam, diferentes pessoas dançavam com o boi, inclusive ca próprio Amo.