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Belo Horizonte: Itatiaia, Segue por este logradouro até o seu cruzamento com a Rua Ranulfo Oliveira. A con- 68 Aqui ninguem e branco v3. Ainda hoje existem remanescentes quilombolas no local e muitos terreiros de candomblé. O Bill Gates é do eixo do mal? Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacio- nal versus identidade negra. Aeroplano, Possui Sorrow No fraseado de Liv, a invisibilidade se torna um recurso corriqueiro, de que se vale a 13 Aqui ninguem e branco v3. Representation: Cultural Representations and Signifying Practice. Nesse momento, os moradores armam barracas e comercializam diversos produtos; fazem brincadeiras e comidas típicas; na atualidade, perdeu-se um pouco dessas características. Silver Bells Isso se deve pelo menos em parte à forma de contar essa história dos tropicalistas, os vencedores da luta cultural nos anos , que se consideravam herdeiros da bossa nova. Localizado na Orla Atlântica de Salvador, o território que hoje compreende o bairro de Amaralina pertenceu à família Amaral. Oxford: Oxford University Press, , p. O bairro teve início a partir de um conjunto habitacional, em , construído pelo Governo do Estado que se chamava Conjunto Residencial Deputado Estadual Teodulo de Albuquerque. Salvador, cultura todo dia:. Miracles

Olodum - Roma Negra. Olodum - Roma Negra 11 Olodum Gaivota 12 Marinheiro ao Mar Amar DESCARGAR. Publicadas por Unknown a. Roma Negra | Olodum to stream in hi-fi, or to download in True CD Quality on 3deko.info E se viajo o mundo inteiro com o meu canto. Não paro num só momento é assim que eu chego. As Antilhas do meu novo pensamento. E se viajo o mundo. Ouça e veja as letras das músicas do álbum Roma Negra de Olodum no maior site de música do Brasil. Roma Negra - Música de Olodum | Escuchar Música Samba - Música Samba Online.

Perguntas como essas podem rapidamente tornar-se abstratas, acadêmicas e impossíveis de responder. Afinal de contas, o cabelo negro é um problema e tanto — quer você o aceite, o amanse ou o alise com uma chapinha ou com produtos químicos. Viajei para a capital de Minas Gerais, Belo Horizonte.

Dora cuida de cabelos, mas, na qualidade de ativista cultural, também cuida de política. Disse-me que suas freguesas muitas vezes lhe pedem que faça seu cabelo parecer mais liso, menos crespo, menos pixaim Dora insiste com elas para que se orgulhem de seu cabelo e de sua herança negra. Acha que seu cabelo é feio, que seu cabelo é um horror. Às vezes a gente vai a uma escola, e o professor se aproxima com uma menina A ideia de expor o crânio de uma criancinha à tortura de produtos químicos alisadores me deixou estarrecido.

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É um esforço grande, principalmente para uma mulher que trabalha por conta própria. Virei-me para acenar para Dora e lhe agradecer mais uma vez. Minha cabeça estava a mil, cheia de perguntas. Havia negros por toda parte, mas teriam eles assimilado a ânsia brasileira de branqueamento?

E a história deles incluía personagens como Chica da Silva, que havia rejeitado a africanidade — e tinha sido admirada por isso. Nos Estados Unidos, todo mundo me vê como negro, e é assim que penso em mim.

Entretanto, teria a mescla racial no Brasil tornado as coisas mais complicadas, mais nuançadas? E até onde ser branco é bonito? Sendo eu mesmo mestiço, resolvi perguntar a pessoas na rua o que pensavam a meu respeito. E logo descobri que minha cor estava nos olhos de quem me via. As opiniões se sucederam, nenhuma igual a outra. As respostas pareciam objetivas — até certo ponto. Seriam essas categorias, esses muitos nomes de graus de mestiçagem, um escudo contra ser negro?

Falei com o professor Reis e lhe descrevi minha experiência. Para sermos exatos, , um termo para cada tonalidade. Encontrei- me com a professora Wlamyra Albuquerque, outra historiadora que leciona na Universidade Federal da Bahia. Muitos ministros acreditavam que, se o Brasil quisesse se tornar um país civilizado, teria de passar por um processo de branqueamento.

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Entre e , 4 milhões de europeus e mil japoneses receberam subsídios para imigrar e trabalhar no Brasil. Mas o esforço visava também erradicar os vestígios da cultura africana. Chamava-se Manuel Querino, e mesmo no Brasil ele ainda é pouco conhecido. Dele pouco se fala nas universidades, e menos ainda nos colégios.

Pode-se considerar Querino como uma mistura brasileira de Booker T. Washington e W. No entanto, diferentemente de Washington e de Du Bois, também se envolveu com o sindicalismo e com a política local foi vereador , e com frequência se aliava a políticos da oligarquia. Querino, em outras palavras, foi um homem complexo. Dizia que o trabalhador brasileiro era muito mais capacitado do que o estrangeiro para enfrentar os desafios da sociedade brasileira.

Mais tarde vim a saber que Jorge Amado, que pode ser visto como o Gilberto Freyre da literatura brasileira, em parte baseou em Querino o protagonista de seu romance Tenda dos milagres. Os escravos eram tidos como essenciais em muitos setores. Mas Querino afirmara que os africanos eram uma parte integral da identidade cultural do Brasil. Para mim, tomar conhecimento dele foi como ouvir falar pela primeira vez de W. Du Bois ou de Carter G. Woodson — dois de meus heróis pessoais na história dos negros nos Estados Unidos.

Fiquei absolutamente magnetizado quando Wlamyra Albuquerque começou a procurar, num livro de ensaios de Querino, algumas de suas passagens favoritas. Entretanto, como vim a saber naquele dia, suas ideias pioneiras sobre raça e racismo praticamente morreram com ele em Eu relia com frequência alguns trechos de que me lembrava. Para ele, esse cruzamento racial estava no cerne da identidade brasileira.

Quando Gilberto Freyre escreveu essas palavras, em , os negros nos Estados Unidos ainda viviam sob o império das chamadas leis Jim Crow. No Brasil, porém, Freyre afirmava que negros e brancos estavam presos uns aos outros pelo sangue e pelo destino.

Argumentava que eles tinham criado uns aos outros, que tinham se constituído mutuamente. Que americano daquela época ousaria afirmar que os Estados Unidos poderiam ser um modelo de democracia racial para o mundo? Quando li Freyre pela primeira vez, lembro-me de tê-lo criticado pelo romantismo exagerado, que chegava à ingenuidade.

Senhores estupravam escravas. O respeito entre grupos advém da igualdade social. Ponto final. Contudo, era preciso admitir o impacto que o livro de Freyre teve no Brasil, pelo que se diz. Alguns dizem que ele mudou a forma como os brancos viam os negros, e também a forma como os negros viam a si mesmos, embora seja difícil imaginar que uma obra acadêmica exercesse tamanho impacto. Deixando Salvador e viajando para o norte, fui recebido cordialmente por Gilberto Freyre Neto na casa do escritor, em Recife, a quarta metrópole do Brasil.

O aeroporto do Recife leva o nome de Gilberto Freyre, decerto o primeiro, ou pelo um dos pouquíssimos casos em que um aeroporto recebeu o nome de um intelectual! Disse ao neto que, para mim, era uma honra conhecê-lo, depois de ter estudado a obra de seu avô em Yale. E apreciei demais a visita guiada que fiz à casa de Freyre, onde ele morou de até sua morte, em O neto de Gilberto Freyre dedica-se a manter viva a obra do avô, sobre a qual falou longamente. Gilberto pôs os negros brasileiros no mesmo nível cultural dos portugueses.

Ele os igualou. Disse que o Brasil só se tornou o Brasil quando a cultura africana, que muitas vezes era superior à portuguesa, foi culturalmente miscigenada. Tornamo-nos uma metarraça ideal. O branqueamento tinha sido um erro.

Ele recorria a recortes de jornais, entrevistas com pessoas idosas, conhecimento obtidos sobretudo por meio de interações. Alguns acadêmicos pensam nele como um ficcionista, enquanto outros o consideram um dos mais profundos analistas da sociedade brasileira. Romancista, sociólogo, nem um nem outro, ou as duas coisas Muitos líderes nacionais, de uma ou outra linha política, mais cedo ou mais tarde abraçaram suas ideias.

Reverteram políticas institucionalizadas que eram abertamente discriminatórias contra os negros. Isso marcou o fim do processo oficial de branqueamento do Brasil. Além do racismo. Mesmo hoje, o Brasil orgulha-se de sua harmonia racial e de sua identidade multicultural. E eu quase podia vê-la.

Os alegres festejos do Carnaval tornaram-se, em todo o mundo, um símbolo reconhecido da fraternidade racial brasileira. Entretanto, seria real essa democracia? O que dizer da ampla e visível pobreza reinante no Brasil, sobretudo entre os negros? O que dizer do Ilê Aiyê e do Olodum, que surgiram, na década de , devido à necessidade de assegurar aos negros e mostrar isso aos brancos que deviam ter orgulho das raízes africanas?

Freyre Neto obstinou-se nas respostas a minhas perguntas. Conseguira marcar um encontro com Zezé Motta, atriz que fez o papel de Chica da Silva no famoso filme brasileiro, lançado em Como atriz negra, pensei, ela deve ter se emocionado muito ao viver essa personagem, e eu esperava que ela pudesse elucidar minhas sensações a respeito dessa dita democracia racial.

Chica da Silva pode ter personificado a democracia racial, mas para Zezé Motta a vida foi bastante diferente. Ela inverteu o jogo e se tornou uma rainha. O produtor preferia que ela fosse uma mulata, uma atriz de pele mais clara.

Tinha de ser uma negra. Continuei a ouvir. Mas como eu tinha me tornado a rainha, o símbolo sexual, uma revista importante me pôs na capa. O desempenho de Zezé Motta como Chica da Silva a transformou em estrela da noite para o dia. Ela gostou do reconhecimento que veio junto com a fama, e era claro que se orgulhava de seu trabalho.

Este país tem uma dívida para com seus negros. Tinha combinado conversar com um de meus heróis, um homem verdadeiramente digno de todas as homenagens, que dedicou a vida à defesa dos afro-brasileiros: Abdias do Nascimento. Fazia muito tempo que queria conhecê-lo, pois Abdias era considerado um dos deuses da intelectualidade negra internacional.

Indicado para o prêmio Nobel, fundou no Rio o Instituto de Estudos Afro- Brasileiros, e é amplamente reconhecido como o maior ativista negro brasileiro. Havia até quem o chamasse de o Nelson Mandela do Brasil. Senti-me honrado por estar em sua presença, e lhe disse isso.

Ele recebeu minha homenagem polidamente, com a calma e a dignidade de um líder nato. Sobre uma cristaleira, perto de sua mesa de jantar, repousava uma requintada estatueta dourada de Exu, o mensageiro dos deuses. A democracia racial era um ideal ou uma realidade? Algum dia existira? Poderia um dia vir a florescer?

Mas é uma imensa mentira. Os negros sentem na carne a mentira que é a democracia racial. Basta olhar as famílias negras. Onde elas moram? Ou olhar para as crianças negras. Vê-se logo que é tudo mentira. Em sua eloquência, lembrava-me o nigeriano Wole Soyinka, prêmio Nobel de literatura. Enquanto eu continuava a ouvi-lo, fascinado, Abdias explicou como o racismo formal no Brasil tinha sido substituído por um racismo informal, mas igualmente pernicioso.

O Brasil da vida real, do dia a dia, ainda era hostil com os negros, ainda tentava apagar todos os vestígios da cultura africana. Mas, e os deuses daqueles que moravam em casebres, que tinham vergonha ou medo de revelar suas verdadeiras crenças?

E rasguei a fantasia do Senado. Invoco Olorum! Invoco Exu! Que Exu me conceda o dom da palavra! Lancei um olhar à estatueta. Nós dois caímos na risada. Perguntei como ele via o futuro do Brasil. Estava curioso para ver que resposta ele daria a essa pergunta.

No entanto, Abdias mostrou-se sereníssimo, como se tivesse formulado a resposta havia muito tempo. A imagem que o país fazia de si mesmo tinha vida própria. Mas para que aquela viagem fizesse sentido, eu precisava ver o Brasil do mundo real.

Eram muito poucos os negros. Parei diante de uma banca de jornais e examinei as capas das revistas, absorvendo lentamente o que via: fileiras e fileiras de rostos brancos, modelos brancos, um Brasil branco.

Eu poderia estar na Suíça. Lembrei-me do que Zezé Motta tinha dito. Pelé, o Einstein do futebol, foi quem primeiro me veio à mente, seguido de Ronaldo, Robinho, Ronaldinho, Neymar e outros jogadores de futebol. Mais ninguém. Continuei minha procura pelo Brasil negro. Cheguei ao bairro, muito mal-afamado, chamado Cidade de Deus, uma das mais conhecidas favelas brasileiras, por ter dado nome a um filme bem-feito e de excelente bilheteria, lançado em Ele conversou comigo sobre a vida dos afro-brasileiros, e senti que o fazia com prazer.

Morar aqui faz parte da minha identidade. Perguntei a MV Bill se todos no bairro eram negros. Mas mesmo aqui, neste bairro negro, o grupo de pessoas mais claras, numericamente menor, é que tem melhores oportunidades na vida. Afinal, ele é uma celebridade. Nunca é racial. Mas é. O autor com o rapper brasileiro MV Bill. As palavras dele tocaram num ponto sensível. Também nos Estados Unidos é comum que os negros levem a culpa pela própria pobreza.

Afinal de contas, qual a necessidade de um movimento de orgulho negro numa sociedade em que vigora a democracia racial? Virei-me para observar crianças que brincavam na rua, vidas jovens cheias de potencial.

Mas nossa conversa continuava em minha cabeça. O primeiro programa elaborado para oferecer aos negros pobres uma saída da pobreza foi lançado em , na Universidade Estadual do Rio de Janeiro. A meta? Getty Images. Marilene balançou a cabeça. E talvez isso trouxesse a igualdade social. Os críticos da política se manifestavam com a mesma veemência.

Marilene dedicou boa parte de seu tempo orientando estudantes de diferentes classes que precisavam se desenvolver. Definir quem era negro, explicou, era definir quem entraria na universidade. Ver jovens lutando por sua africanidade, sua identidade, lhe dava esperanças para o futuro.

Como professor, sei que um debate entre estudantes pode ser muito elucidativo.

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Por isso, pedi a Marilene que organizasse um debate, e ela gentilmente atendeu a meu pedido. O país tem hoje 40 milhões de analfabetos. Isto é um privilégio, vocês compreendem? Estou citando dados oficiais. Em , seis negros se formaram na Universidade Yale. A turma de , que começou o curso três anos depois, tinha 96 rapazes e moças negras. Decerto esse ideal estava ainda mais distante em , quando Gilberto Freyre o formulou. Realmente, encontrei tais coisas. Lucky é um negro janota. Sempre gostei dessa imagem.

Na verdade, ela faz com que eu mesmo me sinta um felizardo — um dos motivos pelos quais mantenho esse negro casquilho à vista da mesa de jantar, onde a cada dia tento escrever. Qual é a de Lucky? Pode-se dizer que o mistério da origem daquele negro ativou meu desejo de explorar a presença africana no México. Eltis dirige o Banco de Dados do Comércio Transatlântico de Escravos, um site de livre acesso que consiste em um vasto banco de dados sobre 32 mil viagens de navios negreiros para o Novo Mundo, entre e Isso representa mil negros a mais que o total levado para os Estados Unidos em toda a história do comércio escravista.

Nesse caso, por onde andam os seus descendentes? Pouco depois, os espanhóis começaram a se instalar ali, como fariam também no Peru, e teve início um comércio intenso de escravos.

Em , fazia sessenta anos que os espanhóis estavam instalados no México. Antes de , a maioria dos escravos era levada para a ilha de Hispaniola. Entretanto, o próprio México passava por um surto de prosperidade econômica, graças a descobertas de jazidas de prata, na década de Em outras palavras, tanto o México como Hispaniola passaram por um período de prosperidade entre e , e o México superou Hispaniola em importância econômica antes do fim do século XVI.

Alimentam a esperança de uma democracia racial, como os afro-brasileiros? O que as crianças afro-mexicanas sabem de seu patrimônio cultural? Como os descendentes dos escravos do México anteveem seu futuro? Existem como uma classe ou grupo étnico distinto? Em meados do século XVI, aquela fora a principal porta de chegada dos escravos e de praticamente todas as demais importações do México.

Encontramo-nos no porto, no lugar exato onde todos aqueles escravos teriam chegado ao país. Veracruz, México. Foto de Jemila Twinch. Porque o suor contém sal. Alguns permaneciam em Veracruz e eram negociados ali no porto. A maioria, porém, era levada para a Cidade do México, onde eram vendidos para diversas regiões nos territórios dominados pela Nova Espanha.

Outros africanos eram comprados para trabalhar em minas, na lavoura ou como criados domésticos em casas senhoriais. Era um luxo. No entanto, o preço das casas variava bastante, indo de duzentos a 5 mil pesos. Parei por um momento para pensar naquilo. Mesmo para intelectuais que passam a carreira pesquisando o comércio de escravos, é esquisito falar do preço de uma pessoa. Todas essas paredes têm as impressões digitais de todos esses africanos. É uma história de morte e de invisibilidade.

Morte e invisibilidade — essas palavras me impressionaram. Eram poderosas, soturnas. Fiquei pensando se descobriria serem verdadeiras. Pouco depois, Judith teve de nos deixar, de modo que Sagrario e eu fomos almoçar.

À mesa, ela tirou da bolsa um maço de fotografias de família para me mostrar. Eram fotos de seu avô, seus pais, suas tias e primos. Muitas dessas pessoas pareciam indígenas. Depois me contou que só soube de sua herança genética negra quando tinha dezenove anos. E de repente me dei conta de que minha família era negra Porque os cubanos eram parecidos com meu avô, com meu pai. Ela estava com dezenove anos quando isso aconteceu. Foi uma descoberta positiva? Porto de San Juan de Lua, Veracruz.

Ela percebia a estranheza da experiência por que passara. Foi como descobrir que era adotada. Quando voltei para o México, perguntei a meu avô por que ele nunca tinha me dito que éramos negros. Moreno é uma palavra que designa um mestiço em certas partes do México, como em Oaxaca e Guerrero.

É um termo regional, mas esclarece um discurso nacional muito mais amplo. Durante séculos, os mexicanos falaram de dezesseis categorias de mistura racial, ou tonalidades de pretos e mulatos, as chamadas castas, tipos pelos quais filhos de uniões inter-raciais eram classificados.

Com ou sem essas imagens, a nomenclatura das castas continuava viva, e talvez tenha havido pelo menos dezoito categorias raciais, utilizadas com certa consistência no México colonial. Tal como acontecera no Brasil, via no México uma sociedade em que os vestígios das raízes negras eram sepultados em mestiçagem. Se é pardo, fique por aí. Estava disposto a descobrir e, ao mesmo tempo, ansioso por evitar impor meu sistema de valores a outro povo.

E acho que isso é uma coisa que ocorre na maior parte das famílias A gente esconde a vovó preta A vovó preta escondida Um segredo de família. Que frases incríveis! Virei-me um pouco para contemplar o fluxo contínuo de mexicanos que passavam por nossa mesa. Alguns rostos pareciam pardos, outros um tanto avermelhados, alguns um tanto bronzeados, outros quase brancos. Havia rostos muito morenos. No entanto, como as raças estavam claramente misturadas, fiquei pensando se seriam vistas como iguais, se cor era classe, como parecia ser o caso no Brasil.

Nas sociedades mestiças, a cor serve, em parte, para definir a classe. Sagrario aquiesceu e disse que, como a maioria de seus parentes podiam facilmente passar por indígenas, preferiam fazer isso. As mexicanas de pele mais clara, continuou ela, descolorem o cabelo para parecer mais europeias.

Afinal, presume-se, por que alguém quereria ser negro? A culpa, disse a Sagrario, precisa ser amplamente distribuída. No fim da tarde, deixei Sagrario e a cidade de Veracruz, impressionado com o fato de uma pessoa que nem era obviamente negra houvesse abraçado com tanto entusiasmo sua herança africana, e iniciei uma longa viagem de carro a Tlacotalpan, no interior do país.

Na estrada, folheei meu maço de anotações. Tlacotalpan fora um importante entreposto colonial. Quando os escravos eram levados de Veracruz para o interior do país, aquele era um dos lugares para onde iam.

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Conversaríamos sobre o modo como as influências africanas, mexicanas e indígenas tinham se combinado para criar novas formas musicais. Rafael parecia ansioso por começar a falar. Mal pude esperar. Logo depois do pôr do sol, na fresca da tarde, rumamos para a praça central. Círculos de cadeiras, dispostos em torno de um palanque de madeira, enchiam-se rapidamente. Revezavam-se para dançar no palanque, e o sapateado das mulheres sobre o tablado reverberava na praça.

Eu me sentia em transe. Essa mistura, disse-me Figueroa, era o fandango. Sempre achei que o fandango fosse uma forma musical europeia. Associava-o à Argentina e ao Brasil, é claro, mas somente como um resquício do domínio colonial espanhol e português.

Nunca pensara no fandango como africano. Figueroa esclareceu as coisas. O tablado, que chamamos de tarima, é em si mesmo um instrumento musical. Tanto quanto o Carnaval brasileiro, percebi, o fandango nascera de uma complexa mescla de culturas. Como eu tinha escrito um ensaio sobre a fala dos afro- americanos, quis saber um pouco mais sobre aquilo.

Isso é muito comum entre as pessoas de origem africana. Perguntei a Figueroa sobre sua própria ascendência negra. Figueroa respondeu que ela se orgulhava de sua origem Minha cunhada, Gemina Pena Gates, certa vez me contou que sua tia a usava com frequência em Porto Rico.

O que ocorrera? A cidade tem uma história fascinante. O futuro mostrou que ele tinha bons motivos para pensar assim. Em , um escravo chamado Gaspar Yanga fugiu e se tornou chefe de um grupo de africanos nas montanhas de Veracruz. Por isso, em os espanhóis desistiram de combatê-lo e lhe ofereceram uma cidade em troca da paz, desde que ele deixasse de acobertar escravos fugidos. A cidade de Yanga se tornou uma das primeiras comunidades fundadas por negros libertos nas Américas. De acordo com alguns historiadores, na verdade foi a primeira delas.

Estava ansioso por conhecer Yanga. Para falar a verdade, estava louco por isso. Mal pude esperar que o carro parasse antes de saltar na praça central. Queria saber o que os moradores dessa cidade sabiam de sua história e o que sentiam a respeito dela. Por isso, num parque próximo, pus-me a procurar pessoas com quem pudesse conversar.

Logo conheci uma moça chamada Carmen, e dentro em pouco outras pessoas começaram a fazer uma rodinha à nossa volta. Mas estavam dispostas a conversar. Havia um sorriso enorme em seu rosto. A conversa estava sendo proveitosa. Perguntei ao grupo de que cor eram. As respostas foram as esperadas: moreno, mulato, outras tonalidades de pardo. Voltei-me para minha nova amiga, Carmen. Como me parecia indígena, perguntei-lhe se era índia. Assim é que se fala! A seguir, passei horas explorando a cidade.

Contava em ver outro lugar como a Bahia — uma florescente comunidade negra a proclamar sua história africana. No entanto, Yanga era outra coisa. Havia nascido negra, mas, como grande parte do México, transformara-se numa ampla variedade de marrons. Minha próxima parada foi o centro do país: a Cidade do México, hoje a maior cidade das Américas, uma metrópole moderna, vibrante, frenética, com 21 milhões de habitantes, um centro de poder desde tempos remotos.

Ambos se assombraram com o que viram. A cidade era de uma beleza sensacional e, naturalmente, repleta de ouro. Ela me recebeu cordialmente no castelo de Chapultepec, onde funciona o museu, e logo começamos a conversar. Fiquei fascinado, para dizer o mínimo. Essas obras tinham sido feitas durante o Iluminismo, num período de intenso cruzamento racial, disse María Elisa — e daí o impulso de catalogar os tipos raciais.

Foram produto de um conjunto singular de circunstâncias históricas. Africanos e indígenas também se entrecruzavam. Muito cedo em sua história, o México se tornara um verdadeiro cadinho de raças, o que despertou intensa curiosidade por parte dos senhores brancos.

Europeus e mexicanos encomendavam os quadros de castas, explicou María Elisa, quase como um guia teórico ou uma enciclopédia para a diversidade do Novo Mundo. Ainda assim, surpreendeu-me a frequência com que ouvi pessoas usando esses termos hoje, tantos séculos depois de terem sido criados.

Uma pintura de casta consta de uma série de pequenos retratos grupais dispostos como que num pequenino tabuleiro de xadrez: quatro imagens em cada coluna e quatro em cada fila. María Elisa explicou-as para mim uma a uma. O cruzamento de espanhol e indígena produz mestizo. Mestizo e espanhol produz castizo. E, achei graça ao saber, castizo e espanhol produz Eles também seriam mulatos, respondeu María Elisa.

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Por que a mistura de genes africanos e europeus parece levar a esse intenso fascínio por graus exatos de tonalidade?

Ela apenas sorriu. No México, ainda que certas raças fossem oprimidas como escravas, evidentemente eram comuns as ligações sexuais entre pessoas de raças diferentes. Na verdade, eu nunca pensara no que isso significava para as genealogias espanholas. Estava fascinado, mas confuso.

Antes disso, os africanos tinham algumas oportunidades em certos ofícios, e podiam se casar com indígenas ou espanhóis. Os espanhóis precisavam de provas de que algumas culturas eram inferiores.

Olhei de novo para as pinturas de casta e me dei conta de estar contemplando o surgimento de um novo tipo de racismo no México. Esse fluxo reduziu-se por volta de , e depois disso foram pouquíssimos os escravos que chegaram. Isso significa que havia transcorrido cerca de um século de cruzamentos raciais antes de surgirem as pinturas de casta. Como estudioso de raças, fiquei muito satisfeito por ver as pinturas de casta com meus próprios olhos.

Como negro, porém, precisava de certo tempo para digerir tudo o que elas significavam. Exortou todos os mexicanos, qualquer que fosse sua cor ou a de seus ancestrais, que se considerassem iguais, e o país mostrou-se receptivo a essa mensagem. Os mexicanos estavam cansados de ser governados pela Espanha, e as revoluções Americana e Francesa os motivaram a lutar pela própria independência.

A guerra foi difícil, sangrenta e prolongada, contou María Elisa. Foi capturado e executado pelos espanhóis em Foram grandes heróis dessa guerra, disse ela, e ambos descendiam de africanos. Isso é como se George Washington fosse negro. Era um negro majestoso. Em determinado momento, o pai de Guerrero, temendo pela vida do filho, suplicou-lhe que se rendesse aos espanhóis. Muitos afro-mexicanos na Costa Chica, disse a professora, também apoiavam o governo espanhol.

Mesmo assim, é alentador saber da existência dessa forte liderança negra no movimento independentista, que por fim triunfou. Guerrero, em aliança com Agustín de Iturbide, conquistou a independência nacional em , após dez anos de resistência.

Cheguei a enviar uma mensagem de texto para meu amigo Lawrence Bobo, professor de Ciências Sociais em Harvard. Logo em seguida ele respondeu. Por acaso os mexicanos sabiam disso? Fiquei pensando também o que tal figura poderia ter significado para os Estados Unidos? E se George Washington fosse negro? Ou John Adams?

Talvez a pergunta mais relevante fosse outra: poderiam George Washington ou John Adams ter sido negros? Teríamos precisado de um movimento pelos direitos civis? Minha cabeça entrou em parafuso, imaginando passados alternativos para meu país. Entretanto, o que María Elisa disse em seguida me levou a conter meu entusiasmo.

Entretanto, em , com vista a um ideal de igualdade, ele e seus colegas também eliminaram as categorias raciais de todas as certidões de nascimento, casamento e óbito. Esse mesmo espírito gerou a ideia da democracia racial no Brasil.

Perguntei a María Elisa se hoje, de modo geral, os mexicanos sabem que Morelos e Guerrero eram negros, e que o país deve sua independência, em parte, à liderança desses dois afro- mexicanos.

A efígie de Morelos até figura na nota de cinquenta pesos. Mas o fato de serem negros acha-se sepulto para a grande maioria dos mexicanos. Temos de sentir orgulho de nossa raça, orgulho de partilhar essa herança com essas importantes culturas africanas.

A professora fez uma defesa eloquente da necessidade de se aceitar as diferenças raciais como parte da luta em prol da igualdade. Rio de Janeiro: FGV, Etnocenologia: a carne do espírito. Revista Repertório: Teatro e Dança, Salvador, n. Corpografias: uma leitura corporal dos intérpretes-criadores do grupo Dimenti.

Belo Horizonte: Itatiaia, O corpo como objeto de arte. Domínio do movimento. Salvador: EGBA, Dança afro-sincretismo de movimentos.

Salvador: Ufba, A dramaturgia da memória no teatro-dança. A diversidade brasileira, antes entendida como resistên- cia, hoje é um potencial a ser realizado. Nessas discussões, as diferenças entre os EUA e o Brasil reemergem e se apagam, alternadamente.

É um problema metodológico: como comparar, o que comparar? Nobles, por exemplo, inves- 77 Aqui ninguem e branco v3.

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O que segue é um exercício pessoal de imaginar relatos so- bre o Brasil para consumo estrangeiro que deslocam as hierarquias norte-sul sem recorrer ao elogio da mestiçagem. Eu vou à lua se Deus quiser Mas se puder levar mulher bis Colombo achou o novo mundo O velho mundo se espantou.

Gagarin foi ao céu profundo Voou, voou, voou. Também eu quero ir à lua Para ver a terra toda azul. Quero ser o Colombo do Espaço Levando Colombina nos meus braços. Nada melhor do que um pouco de estranhamento. Indicam a existência de uma inifinidade de possíveis relatos a fazer sobre a singularidade interessantíssima do Brasil.

Um dos aspectos atraentes da multivocalidade das expressões culturais brasileiras, para o estrangeiro, é a centralida- de do humor nelas. Todos três tinham em comum que — mesmo quando negros eram donos de escravos — ser branco significava ser livre. Notas 1 Liv Sovik. New York: Monthly Review Press, , p. La Paz: Plural, , p.

This is no time to engage in the luxury of cooling off or to take the tranquilizing drug of gradualism. Verdade tropical. The Minority Rights Revolution. Etymologie der deutschen Sprache. Band 7, citado por Carola Saavedra. Grifo meu. A identidade internacional do Brasil e a política externa brasilei- ra: passado, presente e futuro. A sociedade transparente. Cam- bridge, MA: Harvard, Marcha de carnaval lembrada por Lia Sil- veira.

The Recovery of Race in America. Minneapolis: University of Minnesota Press, A garota de Ipanema é um ícone da beleza feminina brasileira, especialmente a carioca. Noutras palavras, ela é branca ou branco-mestiça. A partir do mito da Garota, ela posou duas vezes para Playboy. A verdadeira garota de Ipanema en- xerga oportunidade de negócios em incorporar a beleza.

Esta, sim, criou realmente um gênero. Em Balanço da bossa, organizado por Augusto de Campos e lançado em , os autores partem de uma estética modernista e vanguardista que valoriza a ruptura e o avanço formais. Assim pensaram os entendidos do assunto, artistas e críticos. Existem, é claro, outras visões do sucesso mundial da bossa nova, mais ligadas ao senso comum, que a associam à classe média. Assim, percebe-se que a bossa nova foi criada em uma encruzilhada em que se encontram representações das mais diversas forças sociais, fazendo com que seja sujeita a diferentes interpreta- ções em diversas conjunturas e contextos político-culturais.

Evidentemente, isso é uma caricatura. A primeira parte acom- panha o andar da menina; o ritmo sincopado e melodia bastante li- near mostram seu balanço.

Depois, quando o narrador explica seus sentimentos, a melodia se torna mais lírica. Uma mulher observa um homem observando uma outra mulher.

Nessa estética, as formas se transformam como em um caleidoscópio. É, também, um relato que permite, de forma festiva e traves- tida de Carmen Miranda, o retorno do reprimido: os processos sim- bólicos que produzem a identidade sexual e a branquitude questio- 99 Aqui ninguem e branco v3.

Tadei ainda lembra que no Brasil co- Aqui ninguem e branco v3. Evidência da precariedade é que a Garota de Ipanema na vida real é branca de cabelos castanhos, mas quando ela quer garan- tir sua beleza, rapidamente clareia o cabelo. A hierarquia na qual a branqui- tude é valorizada sem se falar nela, a mestiçagem destacada e a Aqui ninguem e branco v3.

Aparentemente, acaba com os jogos e intertextualidades sutis e com os duplos sentidos que contornavam os censores em outra época. O ideal da bossa nova como mistura cultural que vence as barreiras do eurocentrismo esbarra nesses risos, cosmopolitas e brasileiríssimos.

O que é possível dizer acerca do lugar do Brasil no mundo atual? Talvez, quem sabe. Notas 1 Encarte de Tom Zé. Trama, CD Livro. Polygram, Petrópolis: Vozes, Public Culture Vol. Refashioning Futures. Princeton: Princeton University Press, , p. Uma litera- tura nos trópicos. Vale quanto pesa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, , p.

O local da cultura. Vou te contar. Jornal Valor Econômico. Folha de S. Chega de saudade. The Politics and Poetics of Transgression. The Politics and Poetics of Transgression, p. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, , p. Isso se deve pelo menos em parte à forma de contar essa história dos tropicalistas, os vencedores da luta cultural nos anos , que se consideravam herdeiros da bossa nova. Do início da década de até recentemente, a bossa nova foi a principal referência mu- sical brasileira no hemisfério norte embora Olodum tenha causado um certo impacto com Paul Simon , enquanto o modelo eclético e alegórico do tropicalismo foi dominante no Brasil e também circulou entre entendidos no estrangeiro.

Por exemplo, A fo- reign sound, disco de de Caetano Veloso, entra no universo da Aqui ninguem e branco v3. Essa atitude crí- tica emergiu também no trabalho de Silviano Santiago nos anos Aqui ninguem e branco v3. Os jeitos eram os mesmos, mesma habilidade, mesma sensualidade, mas ela era melhor.

Só porque os outros faziam aquilo um pouco decorado, maquinizado, olhando o povo em volta deles, um automóvel que passava. Vivia a dança. E era su- Aqui ninguem e branco v3. Este é um caso em que tenho pensado muitas vezes. Ela me ensinou a felicidade. Os comentaristas Guilherme Wisnik e Silviano Santiago escrevem no mesmo momento, mas têm propósitos diferentes.

Uma coroa lin- Aqui ninguem e branco v3. Nesta, a narradora explica que teve motivos de ir embora. Aqui vou terminar, Dizendo a todos, Pois é, pois é, pois é, Quem sabe a quentura da panela, É a colher, é a colher. O que se perdeu? Os arranjos das gravações de Angela Maria têm muito mais violinos, menos metais do que os das décadas de e , em que se seguia o estilo big band.

Quando apareceu na ca- Aqui ninguem e branco v3. Nunca fui contra a gente de cor! Tinha a seguinte letra: Ela é a dona de tudo Ela é a rainha do lar Ela vale mais para mim Que o céu, que a terra, que o mar. E as revistas ficavam repisando esse assunto. Parece que sa- biam que me revoltavam.

Faour — Quando vo cê co nhe ceu Daniel, so freu mui- to pre conceito por ele ser cer ca de 30 anos mais jo vem que você? Angela Maria — Com o Daniel foi pior ainda. Isso é que é ma- chismo. Sempre houve. Eles apostavam. Mi- nha raiva é essa. Um dava um mês. As canções formam uma drama- turgia em que os ouvintes investem no afeto da letra e no melodrama dos arranjos.

Pede gestos dos braços para melhor apreciar seus prazeres. Ele tocava esse mambo na boate Arpè- ge e o pessoal gostava. Quando ele a conseguiu, fomos en- saiar.

A cada ensaio, eu fazia melhor. Nunca foi contra gente de cor. Se seu meio era conservador, ela se alinhava com ele. Que corpo é esse?

É o corpo da vítima? O corpo negro é uma herança, é algo que lembra a história do país e impul- siona a luta por justiça. Notas 1 Lorenzo Mammi. Folha explica Caetano Veloso. In: Daniel Mato org. Revista Alceu. Belo Horizonte: Autêntica, , p.

In: Campos, Augusto de org. Balanço da bossa e outras bossas. In: Augusto de Campos org. Bal- anço da bossa. Entrevista a Sidney Garam- bone. Harmondsworth: Penguin Books, , p. CD Circuladô ao vivo. CD Do cóccix até o pescoço. Maianga, CD Moro no Brasil. New York: Pantheon, , p.

Nem sou homem. Ela espalhou por nossas vastas so- lidões uma grande suavidade; seu contato foi a primeira forma que recebeu a natureza virgem do país, e foi a que ele guar- Aqui ninguem e branco v3. Ela é o suspiro indefinível que exalam ao luar nossas noites do norte.

É como se Caetano cantasse um lied: ele transforma o texto de Nabuco em poema romântico- pastoral, musicando o texto para destacar sua beleza.

É o incômo- do que motiva esta leitura da obra. É um solo, acompanhado de instrumentos, que expressa os pensamentos e sentimentos mais ín- timos de um personagem na ópera do debate, às vezes histriônico, sobre raça e racismo no Brasil.

Para lidar com a comple- xidade discursiva, é produtivo analisar Noites do Norte de acordo com os critérios do New Criticism da literatura, de respeitar a au- tonomia da obra, suas ambiguidades, seus temas, sem discutir as intenções do autor ou questões extratextuais. Os componentes Um exame das diversas edições de Noites do Norte revela uma gran- de variedade de formas e vozes narrativas.

Vela leva a seta tesa rema na maré rima mira a terça certa e zera a reza. Eu quero ver Quando Zumbi chegar [ Cada faixa produz um quadro sobre elementos da cultura determinados Aqui ninguem e branco v3. A letra trança o agreste das ossadas abandonadas e das cobras, a cultura do norte-nordeste e a cultura urbana, atualizando o embate rural-arcaico dos tropicalistas em imagens surrealistas.